11 novembro 2005

Open Standards






Implementações de open-source na Europa e Estados Unidos

A ZDNet tem um bom apanhado do estado corrente de vários projectos de implementação de projectos open-source na Europa:
  1. The UK: Confused but enthusiastic
  2. United States: Open source too close to socialism?
  3. France: Liberté, égalité... open source?
  4. Germany: Munich leads the desktop charge
  5. Norway: Fjording the open source rift
  6. Spain: Extraordinary Extremadura
  7. Poland/Eastern Europe: Community equals communism?

Os acorrentados

Conforme se pode ler na Computerworld de 3 de Novembro, o Microsoft Office deixou de ser um produto de produtividade pessoal. Neste momento evoluiu "para um sistema mais abrangente e integrado de programas, servidores e serviços que constituem a base do software Microsoft, assente em funções, integrando capacidades adicionais para a integração de XML (eXtensible Markup Language), serviços de fluxo de trabalho e integração de portais e LOB - Microsoft Office SharePoint Portal Server, Microsoft SQl Server Reporting Services e com a plataforma Microsoft em geral".

Toda esta envolvencia só me faz lembrar aqueles casamentos em que o recém-casado, depois de dar o nó, rapidamente se apercebe que casou não apenas com a apetecível noiva, mas também com a sogra, o sogro, a cunhada, o marido da cunhado, os sobrinhos da cunhada, mais os tios, as tias, e a família da noiva em geral.

A Microsoft, confrontada com o cada vez mais insustentável desafio de ter de justificar aos clientes o pagamento de milhares ou milhões de Euros por uma plataforma de software para a qual existem alternativas gratuitas perfeitamente adequadas, como o OpenOffice.org, resolveu entretecer o Microsoft Office com "a plataforma Microsoft em geral". Os clientes são progressivamente acorrentados (sem aspas) numa cadeia de software que liga aplicações umas às outras, e das quais não se conseguem escapar.

Já são vários os responsáveis de sistemas de informação a quem ouvi referir a falta de coragem para se envolverem numa migração para fora da "plataforma Microsoft em geral". Desejam não gastar dinheiro sem razão na plataforma de office, e sabem que há uma alternativa real e viável. Mas sabem que irão ter muito trabalho pela frente para desfazer este novelo da "plataforma Microsoft em geral".

Estão, ou sentem-se, acorrentados..

01 novembro 2005

Anos perdidos na Saúde

A mais desassombrada análise do que se tem passado na informática na saúde pode ser encontrada na apresentação efectuada por uma das pessoas que no IGIF mais contribuiu para o desenvolvimento para a sociedade da informação na saúde.
O IGIF - Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde - desenvolveu as principais aplicações para a gestão hospitalar, mas nos últimos anos tem estagnado por falta de investimento.

Algumas das razões são apontadas nesta apresentação imperdível efectuada nas Jornadas de Saúde promovidas pela publicação Interface Saúde, que analiza os últimos 15 anos na informática da saúde:

1) Conflitos entre interesses privados e públicos
"O pelouro do IGIF para a área das TIC é gerido por gestores vindos da privada, oriundos de empresas com interesses na Saúde (...) – desde o último semestre de 2001 até à data.

Praticamente, tudo, é posto em causa;
Em finais de 2001 é solicitado um estudo estratégico a uma empresa privada – é entregue durante o 1º trimestre de 2002;
Em finais de 2003 é solicitado um estudo estratégico a uma empresa privada e, no início de 2004, e é efectuado um esclarecimento a nível
Nacional (...);
Último trimestre de 2005, está a decorrer um concurso para mais um estudo na área das estratégias (...);"

2) Desinvestimento tecnológico- onde está o Plano tecnológico ?
"Há produtos desenvolvidos “dentro de portas”, a funcionar em algumas instituições onde, além da boa receptividade que têm por parte dos profissionais de saúde, já demonstraram ter capacidade para obter resultados de curto prazo nas áreas consideradas prioritárias pelo
actual governo, designadamente:
- Prescrição Electrónica de Medicamentos ... Receita Electrónica (C.F);
- Prescrição Electrónica de Baixas (CIT) e ligação à Seg. Social;
- Prescrição Electrónica de MCDT’s para os convencionados (C.F.);
- Articulação de cuidados hospitalares e CSP.

Numa base de seriedade, competência, isenção e defesa dos interesses do Estado, requisitos que os contribuintes, beneficiários do SNS e profissionais de saúde, exigem aos responsáveis pelas TIC da Saúde, confesso que tenho dificuldade em perceber certas decisões, como por exemplo, a de não incentivar e apoiar as instituições de saúde a instalar estes produtos (está a
ser feito exactamente o oposto !!) - a maior parte dos investimentos em tempo e dinheiro, já foram efectuados e, além do mais, se esta decisão fosse tomada, daria mais margem de manobra para o desenvolvimento de novos projectos.

Em minha opinião, a actualização tecnológica de alguns sistemas de informação, ou o desenvolvimento de novos sistemas, ou os estudos estratégicos que estejam a ser efectuados, ou mesmo, as transformações que se pretendem fazer no IGIF, não justificam este tipo de decisões - com estes ou outros motivos, este é o cenário que temos vindo a assistir nos últimos 2 a 3 anos ... “morte lenta”

Sera bom que esta intervençao frontal levante o debate sobre o que se passa na informatica na saude. A abertura da nossa sociedade assim o exige, que os decisores da Administraçao Publica prestem contas ao publico do que andam a fazer.

Open Document Format e a imprensa

Ainda não consegui ver nada na imprensa especializada e muito menos na imprensa generalista sobre o formato OpenDocument, um standard de formatação de documentos aprovado pela organização Oasis a 1 de Maio de 2005.

Este formato já foi adoptado formalmente ou informalmente (ou seja, através de produtos que o suportam, como o OpenOffice.org, StarOffice ou, de um modo geral, Linux) por inúmeras cidades europeias, como Munique, Viena, Bergen; por departamentos de Estado, como a Polícia Francesa, o Ministério da Defesa de Singapura, as finanças alemãs, o estado de Massachussets, a Junta da Extremadura ou o Ministério da Justiça em Portugal; por países inteiros, como a Tailândia, Venezuela ou a Indonésia.

A imprensa informática portuguesa sofre de faltas de recursos, e portanto apoia-se muito nas contribuições de empresas do ramo, na forma de press-releases, conferências de imprensa e viagens a eventos internacionais. Mas num mundo em que o software de código aberto é cada vez mais importante, é chegada a altura de arranjarem tempo para noticiar o que se passa nessa área. Talvez precisem que alguém lhes começe a enviar as press-releases do Gnome, KDE e OpenOffice.org, por exemplo..

Abre-te Software

Porquê um blogue entitulado abre-te software? Porque a sociedade portuguesa necessita como do pão para a boca de um maior abertura, de uma maior frontalidade, de mais colaboração. Que cada um contribua como possa. Vou tentar, pela minha parte, contribuir para esses objectivos na área da sociedade da informação, e colaborar para desfazer os unanimismos, o silenciar de problemas, e estimular a diversidade, a originalidade e a colaboração que são os ingredientes de uma sociedade inovadora.