Michael Meeks, um dos principais contribuidores para o Openoffice.org, foi entrevistado durante o recente FOSDEM (Free and Open source Software Developers' European Meeting) em Bruxelas. Durante essa entrevista revela que há bastante trabalho em curso para tornar o OpenOffice.org mais rápido no arranque e na abertura de documentos.
Outra novidade é que não vamos ter de esperar mais 2 anos para um OOo 3. A partir de agora haverão novas versões com novas características pelo menos de 6 em 6 meses.
Este acelerar do OOo tem a ver com uma das forças do open-source. Enquanto que produtos comerciais têm um ciclo cada vez mais longo, os produtos de software livre estão a evoluir para um acumular sustentado de mudanças regulares, o que lhes permitirá a médio prazo ultrapassar a concorrência.
24 fevereiro 2006
16 fevereiro 2006
MIT e o Open Source
Talvez ganhemos mais do que esperamos se o M.I.T. sempre se estabelecer em Portugal.
Acabei de ver o tema do MIT Enterprise Forum 2006 Workshop: "Charting the Course Through Open Source"
Citando a introdução à workshop:
"Open source software is one of the major factors that will define the software industry in this decade. Until just a few years ago, open source was viewed as an emerging phenomenon.
Acabei de ver o tema do MIT Enterprise Forum 2006 Workshop: "Charting the Course Through Open Source"
Citando a introdução à workshop:
"Open source software is one of the major factors that will define the software industry in this decade. Until just a few years ago, open source was viewed as an emerging phenomenon.
Today, open source code is widely used by even the most traditional organizations. Young entrepreneurs and software engineers look to open source projects as a wellspring of innovation, with the potential to significantly accelerate time to market."
Pode ser que nos ajude a abrir os olhos..Não sei porquê, mas em Portugal parece que gostamos de pensar por outras cabeças em vez de usar as nossas..
José Magalhães e a polícia à francesa
José Magalhães, o Secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, escreveu bastante sobre internet no passado. Tinha até um blog, desabitado desde 28 de Agosto de 2004.
É pena, porque poder-lhe-ia referir o exemplo da polícia francesa, que para o ciber acesso (para usar termos que lhe são caros) passou a utilizar o Mozilla Firefox. Por este browser já passam 18 % dos acessos à Net em França.
E falando com os seus colegas franceses, ele não lhe deixaria de referir as poupanças que poderia ter se passasse a utilizar OpenOffice.org nas esquadras portuguesas. Em França calcularam-nas em 2 milhões de Euros anuais numa migração de 80.000 postos.
Provavelmente em Portugal também representaria umas poupanças interessantes.
E finalmente, para uma pessoa com formação legal como ele, não deixaria de lhe recomendar o excelente Groklaw, que mistura open-source com temas legais. De certeza que o acharia interessante.
Talvez alguém lhe mostre isto.
É pena, porque poder-lhe-ia referir o exemplo da polícia francesa, que para o ciber acesso (para usar termos que lhe são caros) passou a utilizar o Mozilla Firefox. Por este browser já passam 18 % dos acessos à Net em França.
E falando com os seus colegas franceses, ele não lhe deixaria de referir as poupanças que poderia ter se passasse a utilizar OpenOffice.org nas esquadras portuguesas. Em França calcularam-nas em 2 milhões de Euros anuais numa migração de 80.000 postos.
Provavelmente em Portugal também representaria umas poupanças interessantes.
E finalmente, para uma pessoa com formação legal como ele, não deixaria de lhe recomendar o excelente Groklaw, que mistura open-source com temas legais. De certeza que o acharia interessante.
Talvez alguém lhe mostre isto.
07 fevereiro 2006
O que realmente interessa - mais organização
Sejamos francos, em Portugal não existe uma comunidade open-source. Existem várias comunidades, que ora cooperam ora se ignoram. Existem muitas pessoas que utilizam software livre, mas não sabem como podem ajudar. Existem também várias pessoas em empresas e administração pública que sem muito alarde vão implementado soluções de software livre. Ainda hoje tomei conhecimento de mais uma, abrangendo 1.000 utilizadores.
Precisamos de mais organização. Precisamos de cooperação entre as várias comunidades, de forma a reforçarem-se umas às outras. Precisamos de um meio de proporcionar a quem quer ajudar um meio de o fazer -e nem todos precisam de ser programadores. Precisamos de publicitar mais o que se vai fazendo, e é cada vez mais.
Estamos, todos os que utilizamos software livre em Portugal, a usufruir do trabalho que outros resolveram partilhar conosco. Esse é cada vez mais um trabalho colectivo e organizado. Precisamos de o fazer melhor. De divulgar a existência do software livre. De ajudar quem quer experimentar. De publicitar quem o usa.
Precisamos de definir acções comuns. Começo com um primeiro apelo: a criação de um Arquipélago de Sites. Os seja, que o gildot, a ANSOL, o Paradigma e o seu Laboratório para a Iniciativa do Software Aberto, a Caixa Mágica, o Projecto Português do Openoffice.org, o Startux.org, o PTNIX, o Fedora Portugal, o Mozilla pt-PT, SoftwareLivre na AP, o Software Livre na FEUP, o Planeta Asterisco, o alphamatrix.org, o GNU/Linux-[PT], o Slackware-PT, o Software Livre no SAPO, o Ubuntu-PT ,o Alinex, se comecem a referenciar mais. De certeza que me estou a esquecer de alguns. E de certeza absoluta que não conheço todos.
É apenas um começo.
Cumprimentos especiais ao alphamatrix.org, que tem as referências mais completas.
Precisamos de mais organização. Precisamos de cooperação entre as várias comunidades, de forma a reforçarem-se umas às outras. Precisamos de um meio de proporcionar a quem quer ajudar um meio de o fazer -e nem todos precisam de ser programadores. Precisamos de publicitar mais o que se vai fazendo, e é cada vez mais.
Estamos, todos os que utilizamos software livre em Portugal, a usufruir do trabalho que outros resolveram partilhar conosco. Esse é cada vez mais um trabalho colectivo e organizado. Precisamos de o fazer melhor. De divulgar a existência do software livre. De ajudar quem quer experimentar. De publicitar quem o usa.
Precisamos de definir acções comuns. Começo com um primeiro apelo: a criação de um Arquipélago de Sites. Os seja, que o gildot, a ANSOL, o Paradigma e o seu Laboratório para a Iniciativa do Software Aberto, a Caixa Mágica, o Projecto Português do Openoffice.org, o Startux.org, o PTNIX, o Fedora Portugal, o Mozilla pt-PT, SoftwareLivre na AP, o Software Livre na FEUP, o Planeta Asterisco, o alphamatrix.org, o GNU/Linux-[PT], o Slackware-PT, o Software Livre no SAPO, o Ubuntu-PT ,o Alinex, se comecem a referenciar mais. De certeza que me estou a esquecer de alguns. E de certeza absoluta que não conheço todos.
É apenas um começo.
Cumprimentos especiais ao alphamatrix.org, que tem as referências mais completas.
05 fevereiro 2006
O que realmente interessa - mais inovação
O Firefox demonstrou que uma combinação de facilidade de utilização com inovação e com marketing atraz os utilizadores. É necessário levar esse exemplo aos outros projectos open-source. Acredito que o modelo de desenvolvimento cooperativo do open-source fará com que gradualmente a inovação aconteça sobretudo dese modo, e não via software proprietário. Apesar do que vamos sofrer durante os próximos dois anos , com a barragem de Markting que aparecerá com o lançamento do Windows Vista e do Office 12. Vamos ter de aguentar, e continuar a inovar. Ao contrário da Microsoft, o software open-source evolui contínuamente. Depois do Vista e do Office 12 vamos ter tempo para recuperar, pois a MS funciona por ciclos cada vez mais longos. Há que ter uma visão à distância.
Mas voltando à inovação. Conhecem o projecto Looking Glass? Interfaces 3D? Vai muito para além do que o Vista terá. Viram a apresentação da utilização do XGL na próximo Novell Linux Desktop por Nat Friedman? Neste momento é muito cópia do OSX, mas é apenas o primeiro passo do que pode ser consguido com XGL.
É por isso, por projectos como estes, que estou confiante.
Mas voltando à inovação. Conhecem o projecto Looking Glass? Interfaces 3D? Vai muito para além do que o Vista terá. Viram a apresentação da utilização do XGL na próximo Novell Linux Desktop por Nat Friedman? Neste momento é muito cópia do OSX, mas é apenas o primeiro passo do que pode ser consguido com XGL.
É por isso, por projectos como estes, que estou confiante.
04 fevereiro 2006
O que realmente interessa - mais software
O que é que realmente mais interessa para a adopção do Linux? Aplicações, Drivers para hardware e Marketing :-)
No que diz respeito ao Software, a Novel fez um inquérito às aplicações "mais procuradas" no Linux, e surgiu com esta lista:
1. Photoshop
2. Autocad
3. Dreamweaver
4. iTunes
5. Macromedia Studio
6. Flash
7. Quicken
8. Visio
9. Quickbooks
10. Lotus Notes
A Novell diz que vai agora trabalhar para conseguir que os fornecedores deste software o portem para Linux:
Não irão conseguir com todos, mas seria bom que o conseguissem com alguns.
Quem defenda o Software Livre com mais rigidez dirá que isso não interessa para nada, o que interessa é desenvolver as alternativas livres a estes programas. Têm em parte razão, é mesmo necessário que isso aconteça. Mas também é importante que para acelerar a adopção do Linux este software exista em Linux. Isso pode ajudar a convencer cada vez mais pessoas a mudar para Linux no Desktop. E depois de estarem do lá de cá, e de perceberem a filosofia do desenvolvimento colaborativo, até podem ajudar a desenvolver as alternativas livres a estes programas.
Esta é uma luta desigual. Aliados são bem-vindos.
No que diz respeito ao Software, a Novel fez um inquérito às aplicações "mais procuradas" no Linux, e surgiu com esta lista:
1. Photoshop
2. Autocad
3. Dreamweaver
4. iTunes
5. Macromedia Studio
6. Flash
7. Quicken
8. Visio
9. Quickbooks
10. Lotus Notes
A Novell diz que vai agora trabalhar para conseguir que os fornecedores deste software o portem para Linux:
Não irão conseguir com todos, mas seria bom que o conseguissem com alguns.
Quem defenda o Software Livre com mais rigidez dirá que isso não interessa para nada, o que interessa é desenvolver as alternativas livres a estes programas. Têm em parte razão, é mesmo necessário que isso aconteça. Mas também é importante que para acelerar a adopção do Linux este software exista em Linux. Isso pode ajudar a convencer cada vez mais pessoas a mudar para Linux no Desktop. E depois de estarem do lá de cá, e de perceberem a filosofia do desenvolvimento colaborativo, até podem ajudar a desenvolver as alternativas livres a estes programas.
Esta é uma luta desigual. Aliados são bem-vindos.
Cartas ao Director
Há neste momento assuntos muito mais importantes para discutir em Portugal que a visita de Bill Gates e a Microsoft. Para encerrar o assunto neste blog transcrevo uma carta ao jornal Público que achei extremamente bem feita. Cumprimentos ao autor.
Portugal e a Microsoft
A recente visita de Bill Gates a Portugal foi apresentada pelo Governo e pela comunicação social como um acontecimento relevante. A presença do "homem mais rico do mundo" foi uma oportunidade para os nossos governantes se mostrarem verdadeiramente empenhados em promover o desenvolvimento tecnológico de Portugal e disso foi dada cobertura alargada nos jornais e noticiários. Efectivamente, a Microsoft é hoje a mais importante empresa de software a nível mundial e Bill Gates, o seu líder, um empresário brilhante. Sendo estes factos indiscutíveis, não nos podemos esquecer que Bill Gates, como empresário que é, procura promover e vender os produtos da sua empresa. E é por isso que ao analisarmos a visita de Bill Gates não nos podemos esquecer de referir os custos que a utilização de produtos Microsoft têm hoje para a nossa economia.
O Windows e o Office, os dois produtos mais populares da empresa de Bill Gates, estão presentes em praticamente todos os computadores pessoais portugueses. Para o utilizador comum, o custo da instalação do Windows e do Office no seu PC é, se não estiver a infringir a lei, superior a 700 euros (140 contos). Se em vez das versões mais baratas destes produtos optar por usar as versões profissionais, pagará perto de 1300 euros (260 contos). Multipliquemos estes valores pelo número de computadores pessoais existentes em Portugal e será fácil percebermos que os montantes que saem do nosso país em direcção à sede da Microsoft nos Estados Unidos são tudo menos negligenciáveis. Se adicionarmos a esta factura os custos do software empresarial vendido pela Microsoft, podemos ter uma noção da gravidade que a situação representa para um país com poucos recursos como Portugal.
Num período em que tanto se fala do défice e da situação complicada que a nossa economia atravessa, espera-se de um governo responsável que procure e promova alternativas menos dispendiosas. Em vez disso, assistimos ao anúncio de que foram estabelecidos acordos com a Microsoft para acções de formação de "1 milhão de portugueses". Tudo indica que uma parte importante do valor a gastar nesta formação será proveniente do Orçamento do Estado. O Governo pode ter a melhor das intenções mas gasta o dinheiro dos contribuintes a promover a utilização de produtos que deveria estar a tentar substituir.
Ao contrário do que muitas vezes se pode pensar, existem alternativas aos produtos da Microsoft. Os computadores podem funcionar sem o Windows, que pode ser substituído, por exemplo, por software open source. O software open source, como o Linux, Firefox, OpenOffice ou Apache, pode ser utilizado gratuitamente por qualquer indivíduo ou empresa. Mais importante do que isso, o software open source pode ser alterado para criar novos produtos sem que isso implique o pagamento de licenças dispendiosas à Microsoft ou a outro fornecedor de software. Por esse motivo, os produtos open source representam uma importante oportunidade de negócio para as empresas de tecnologia.
O interesse do Governo em promover o desenvolvimento tecnológico de Portugal é genuíno, mas para que esse objectivo se concretize os nossos governantes têm de estar bem informados sobre os possíveis caminhos a seguir sem se deixarem impressionar por terem diante de si o "homem mais rico do mundo".
Jorge Gomes Silva
Mem Martins
Portugal e a Microsoft
A recente visita de Bill Gates a Portugal foi apresentada pelo Governo e pela comunicação social como um acontecimento relevante. A presença do "homem mais rico do mundo" foi uma oportunidade para os nossos governantes se mostrarem verdadeiramente empenhados em promover o desenvolvimento tecnológico de Portugal e disso foi dada cobertura alargada nos jornais e noticiários. Efectivamente, a Microsoft é hoje a mais importante empresa de software a nível mundial e Bill Gates, o seu líder, um empresário brilhante. Sendo estes factos indiscutíveis, não nos podemos esquecer que Bill Gates, como empresário que é, procura promover e vender os produtos da sua empresa. E é por isso que ao analisarmos a visita de Bill Gates não nos podemos esquecer de referir os custos que a utilização de produtos Microsoft têm hoje para a nossa economia.
O Windows e o Office, os dois produtos mais populares da empresa de Bill Gates, estão presentes em praticamente todos os computadores pessoais portugueses. Para o utilizador comum, o custo da instalação do Windows e do Office no seu PC é, se não estiver a infringir a lei, superior a 700 euros (140 contos). Se em vez das versões mais baratas destes produtos optar por usar as versões profissionais, pagará perto de 1300 euros (260 contos). Multipliquemos estes valores pelo número de computadores pessoais existentes em Portugal e será fácil percebermos que os montantes que saem do nosso país em direcção à sede da Microsoft nos Estados Unidos são tudo menos negligenciáveis. Se adicionarmos a esta factura os custos do software empresarial vendido pela Microsoft, podemos ter uma noção da gravidade que a situação representa para um país com poucos recursos como Portugal.
Num período em que tanto se fala do défice e da situação complicada que a nossa economia atravessa, espera-se de um governo responsável que procure e promova alternativas menos dispendiosas. Em vez disso, assistimos ao anúncio de que foram estabelecidos acordos com a Microsoft para acções de formação de "1 milhão de portugueses". Tudo indica que uma parte importante do valor a gastar nesta formação será proveniente do Orçamento do Estado. O Governo pode ter a melhor das intenções mas gasta o dinheiro dos contribuintes a promover a utilização de produtos que deveria estar a tentar substituir.
Ao contrário do que muitas vezes se pode pensar, existem alternativas aos produtos da Microsoft. Os computadores podem funcionar sem o Windows, que pode ser substituído, por exemplo, por software open source. O software open source, como o Linux, Firefox, OpenOffice ou Apache, pode ser utilizado gratuitamente por qualquer indivíduo ou empresa. Mais importante do que isso, o software open source pode ser alterado para criar novos produtos sem que isso implique o pagamento de licenças dispendiosas à Microsoft ou a outro fornecedor de software. Por esse motivo, os produtos open source representam uma importante oportunidade de negócio para as empresas de tecnologia.
O interesse do Governo em promover o desenvolvimento tecnológico de Portugal é genuíno, mas para que esse objectivo se concretize os nossos governantes têm de estar bem informados sobre os possíveis caminhos a seguir sem se deixarem impressionar por terem diante de si o "homem mais rico do mundo".
Jorge Gomes Silva
Mem Martins
03 fevereiro 2006
02 fevereiro 2006
Lucidez e Honestidade
Constrastando com a canonização da Microsoft feita por vários comentadores e governantes nos últimos dias tive o prazer de ouvir um comentário lúcido e honesto a estes planos conjuntos do Governo e da citada empresa.
Citando o Público:
" O que é a que a firma de Bill Gates tem então a ganhar com este programa ? João Paulo Girbal respondeu com uma analogia. Se a Microsoft fabricasse carros "e só houvesse dez pessoas em Portugal com carta de condução", a firma não faria grande negócio. Ao aumentar o número de portugueses com conhecimentos das tecnologias de informação, a Microsoft está a aumentar o seu mercado. O nosso sucesso está ligado ao número de pessoas que podem aceder às nossas tecnologias", disse Girbal"
Falta apenas acrescentar que ainda segundo declarações de outro dirigente da mesma empresa ao Público, "Um dólar (82 cêntimos de euro) é o custo que a Microsoft irá suportar por cada utilizador português destes "cursos de informática". A Microsoft vai pois investir em 5 anos um total de 820.000 Euros em formação. Pressupõe-se que o grosso do Investimento nestas acções pensadas para alargar o mercado da Microsoft em Portugal venha do outro parceiro - o Estado Português.
Citando o Público:
" O que é a que a firma de Bill Gates tem então a ganhar com este programa ? João Paulo Girbal respondeu com uma analogia. Se a Microsoft fabricasse carros "e só houvesse dez pessoas em Portugal com carta de condução", a firma não faria grande negócio. Ao aumentar o número de portugueses com conhecimentos das tecnologias de informação, a Microsoft está a aumentar o seu mercado. O nosso sucesso está ligado ao número de pessoas que podem aceder às nossas tecnologias", disse Girbal"
Falta apenas acrescentar que ainda segundo declarações de outro dirigente da mesma empresa ao Público, "Um dólar (82 cêntimos de euro) é o custo que a Microsoft irá suportar por cada utilizador português destes "cursos de informática". A Microsoft vai pois investir em 5 anos um total de 820.000 Euros em formação. Pressupõe-se que o grosso do Investimento nestas acções pensadas para alargar o mercado da Microsoft em Portugal venha do outro parceiro - o Estado Português.
01 fevereiro 2006
Algumas perguntas ao Governo - ou porque Bill Gates é o homem mais rico do mundo
Há várias questões que surgem a quem ouve a catadupa de anúncios de acordos e protocolos assinados por Bill Gates em Portugal. Gostava mesmo de ter algumas respostas a estas interrogações..
1- Microsoft quer formar 1 milhão de portugueses
Depois de se ler a notícia fica-se a saber que a Microsoft só vai formar formadores, e não os destinatários finais. Quantos serão estes formadores? Quem vai pagar a estes formadores durante a sua maratona de formação?
2- Microsoft quer formar 1 milhão de portugueses
A versão mais barata do Microsoft Office custa 660 Euros (há uma mais barata, mas é apenas para estudantes e professores - 215 Euros). Como consequência da formação de 1 milhão de portugueses de Microft Office, e se desta formação resultar a aquisição deste software, a Microsoft irá ganhar 660 milhões de Euros. Parece ser um bom investimento. Alguém fez estas contas ?
3-Serviços de Estrangeiros e Fronteiras e GNR serão as forças de segurança abrangidas por um conjunto de acções de formação
Estas acções de formação são gratuitas? Se não, houve consultas ao mercado? Quantas mais licenças Microsoft vai o MAI ter de comprar ?
4-Criação de estágios nas 4600 empresas do universo Microsoft
Estes estágios não são financiados pelo Governo Português? E é a Microsoft que fica com o crédito? E estas 4600 empresas só vendem produtos da Microsoft ? E é a Microsoft que fica com o crédito?
5-A Microsoft vai fornecer à Polícia Judiciária (PJ) equipamento informático de luta contra o cibercrime
A Microsoft de hardware não vende só ratos e teclados ? E o software e os serviços são contratados por protocolo, sem concurso público? O Tribunal de Contas sabe disto ?
E o software da Microsoft, tão susceptível a vírus e Spyware, será o melhor para a Polícia Judiciária?
6- O ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, anunciou que está a negociar com a Microsoft um protocolo com vista à modernização de todo o sistema informático do Ministério
Um protocolo? Não vai haver concurso público ? É isto a promoção da competitividade ?
7-As Universidades do Minho, de Aveiro e da Beira Interior, disponibilizarão cursos de especialização em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) para jovens com o 12.º ano. O projecto prevê que todos os professores envolvidos recebam formação e material escolar directamente da Microsoft através do seu programa IT Academy.
Estas Universidades vão ter a professores pagos por todos nós a dar formação de produtos de uma firma privada ? Parece ser um bom negócio para a Microsoft e um mau negócio para o erário público. Está-me a escapar alguma coisa ?
1- Microsoft quer formar 1 milhão de portugueses
Depois de se ler a notícia fica-se a saber que a Microsoft só vai formar formadores, e não os destinatários finais. Quantos serão estes formadores? Quem vai pagar a estes formadores durante a sua maratona de formação?
2- Microsoft quer formar 1 milhão de portugueses
A versão mais barata do Microsoft Office custa 660 Euros (há uma mais barata, mas é apenas para estudantes e professores - 215 Euros). Como consequência da formação de 1 milhão de portugueses de Microft Office, e se desta formação resultar a aquisição deste software, a Microsoft irá ganhar 660 milhões de Euros. Parece ser um bom investimento. Alguém fez estas contas ?
3-Serviços de Estrangeiros e Fronteiras e GNR serão as forças de segurança abrangidas por um conjunto de acções de formação
Estas acções de formação são gratuitas? Se não, houve consultas ao mercado? Quantas mais licenças Microsoft vai o MAI ter de comprar ?
4-Criação de estágios nas 4600 empresas do universo Microsoft
Estes estágios não são financiados pelo Governo Português? E é a Microsoft que fica com o crédito? E estas 4600 empresas só vendem produtos da Microsoft ? E é a Microsoft que fica com o crédito?
5-A Microsoft vai fornecer à Polícia Judiciária (PJ) equipamento informático de luta contra o cibercrime
A Microsoft de hardware não vende só ratos e teclados ? E o software e os serviços são contratados por protocolo, sem concurso público? O Tribunal de Contas sabe disto ?
E o software da Microsoft, tão susceptível a vírus e Spyware, será o melhor para a Polícia Judiciária?
6- O ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, anunciou que está a negociar com a Microsoft um protocolo com vista à modernização de todo o sistema informático do Ministério
Um protocolo? Não vai haver concurso público ? É isto a promoção da competitividade ?
7-As Universidades do Minho, de Aveiro e da Beira Interior, disponibilizarão cursos de especialização em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) para jovens com o 12.º ano. O projecto prevê que todos os professores envolvidos recebam formação e material escolar directamente da Microsoft através do seu programa IT Academy.
Estas Universidades vão ter a professores pagos por todos nós a dar formação de produtos de uma firma privada ? Parece ser um bom negócio para a Microsoft e um mau negócio para o erário público. Está-me a escapar alguma coisa ?
30 janeiro 2006
Modernizar as empresas portuguesas
As empresas portuguesas estão a passar um período difícil com a crise económica em Portugal. Nem todas eu sei, mas quantos bancos há em Portugal ? Fora essas excepções, como podemos modernizar empresas com poucos recursos financeiros?
Há neste momento um conjunto de aplicações open-source de e-business que o IAPMEI bem poderia promover.
Listo aqui aquelas de que tenho conhecimento:
MP-Biz (Evaristo) - a única genuínamente portuguesa
OfBiz - Open for Business - muitas referências
Compiere - ERP e CRM -muito profissional
GNU Enterprise Small Business - parece precisar ainda de bastante trabalho
Há neste momento um conjunto de aplicações open-source de e-business que o IAPMEI bem poderia promover.
Listo aqui aquelas de que tenho conhecimento:
MP-Biz (Evaristo) - a única genuínamente portuguesa
OfBiz - Open for Business - muitas referências
Compiere - ERP e CRM -muito profissional
GNU Enterprise Small Business - parece precisar ainda de bastante trabalho
Governos como aceleradores
Vamos ter por aí uns visitantes ilustres que vão tentar convencer os nossos governantes que a inovação se controi comprando os produtos deles. Numa tentativa de iluminar esses mesmos governantes sobre como de facto podem contribuir para acelerar a inovação, remeto-os para este editorial do Consortiuminfo.org intitulado "GOVERNMENTS AS ACCELERATORS".
Aqui se descreve como há cerca de um século os governos resolveram estabelecer normas relativamente ao caminho-de-ferro, decretando a uniformização das larguras de linhas, e permitindo assim a interoperabilidade dos transportes. Estamos neste momento num ponto de inflexão semelhante no domínio do software, e as administrações públicas podem contribuir para uma aceleração das oportunidades de desenvolvimento se mandatarem normas de interoperabilidade nas tecnologias de informação.
Leitura recomendada.
Aqui se descreve como há cerca de um século os governos resolveram estabelecer normas relativamente ao caminho-de-ferro, decretando a uniformização das larguras de linhas, e permitindo assim a interoperabilidade dos transportes. Estamos neste momento num ponto de inflexão semelhante no domínio do software, e as administrações públicas podem contribuir para uma aceleração das oportunidades de desenvolvimento se mandatarem normas de interoperabilidade nas tecnologias de informação.
Leitura recomendada.
25 janeiro 2006
Investimento, inovação e dependência
Segundo a OCDE e a Eurostat, Portugal investiu em 2001 0,84 % do seu Produto Interno Bruto em Investigação e Desenvolvimento. Por comparação, temos:
Suécia : 4.27 %
Finlândia: 3.42 %
Alemanha: 2.51 %
Dinamarca: 2.39 %
..
República Checa: 1,91 %
..
Portugal; 0,84 %
Temos uma esperança - o crescimento deste indicador entre 1996 e 2001 foi de 47 %. Mas não sei se nos últimos anos de crise esse crescimento se manteve...
O que tem isto a ver com o software? Tem a ver com a nossa cultura de que não é necessário investir em software nacional, basta comprar o que as multinacionais nos vendem.
Este sim é um sinal de subdesenvolvimento. A falta de inovação traz a dependência.
Suécia : 4.27 %
Finlândia: 3.42 %
Alemanha: 2.51 %
Dinamarca: 2.39 %
..
República Checa: 1,91 %
..
Portugal; 0,84 %
Temos uma esperança - o crescimento deste indicador entre 1996 e 2001 foi de 47 %. Mas não sei se nos últimos anos de crise esse crescimento se manteve...
O que tem isto a ver com o software? Tem a ver com a nossa cultura de que não é necessário investir em software nacional, basta comprar o que as multinacionais nos vendem.
Este sim é um sinal de subdesenvolvimento. A falta de inovação traz a dependência.
24 janeiro 2006
Portugal e Dinamarca
Portugal tem 10 milhões de habitantes. A Dinamarca tem 5 milhões de habitantes. Portugal produz 19.400 dólares por pessoa. A Dinamarca produz 28.900 dólares por pessoa.
Portugal compra software pela marca. A Dinamarca compra software pelas suas especificações.
Chegou a estar prometido em Portugal um documento de interoperabilidade com recomendações das normas abertas adoptar pela Administração Pública nas suas aquisições. Esse documento nunca viu a luz do dia. Num Estado sem dinheiro, não há nenhuma política governativa de adopção de software aberto pela Administração Pública, para ajudar a reduzir o défice.
Na Dinamarca já em Outubro de 2002 era publicado um relatório sobre Open Source na Administração Pública com análise do impacto económico e social da sua adopção. Em Setembro de 2005 o Ministério da Ciência. Tecnologia e Inovação publicou um relatório sobre migrações de suites de Office na Administração Pública dinamarquesa.
Na Dinamarca exsite uma Associação de Fornecedores de Open-Source com 29 membros.
Na Dinamarca um grupo de estudantes lançou uma cerveja open-source :-) .
Onde referi a Dinamarca poderia estar a referir a Holanda, ou a Finlândia.
O tamanho não nos desculpa. Só mesmo a falta de rigor e de inovação.
Já que não há links portugueses neste post, por razões óbvias, leiam os links dinamarqueses..
Portugal compra software pela marca. A Dinamarca compra software pelas suas especificações.
Chegou a estar prometido em Portugal um documento de interoperabilidade com recomendações das normas abertas adoptar pela Administração Pública nas suas aquisições. Esse documento nunca viu a luz do dia. Num Estado sem dinheiro, não há nenhuma política governativa de adopção de software aberto pela Administração Pública, para ajudar a reduzir o défice.
Na Dinamarca já em Outubro de 2002 era publicado um relatório sobre Open Source na Administração Pública com análise do impacto económico e social da sua adopção. Em Setembro de 2005 o Ministério da Ciência. Tecnologia e Inovação publicou um relatório sobre migrações de suites de Office na Administração Pública dinamarquesa.
Na Dinamarca exsite uma Associação de Fornecedores de Open-Source com 29 membros.
Na Dinamarca um grupo de estudantes lançou uma cerveja open-source :-) .
Onde referi a Dinamarca poderia estar a referir a Holanda, ou a Finlândia.
O tamanho não nos desculpa. Só mesmo a falta de rigor e de inovação.
Já que não há links portugueses neste post, por razões óbvias, leiam os links dinamarqueses..
19 dezembro 2005
A chantagem do costume
Fim de ano. Enquanto a generalidade das pessoas faz as suas últimas compras de Natal, os comerciais fazem as suas últimas vendas. Há quem valorize as qualidades técnicas dos produtos. Há quem valorize a confiança na empresa que representam, a relação, a parceria. E há quem recorra à chantagem do costume. Por esta altura do ano é costume haver algum Instituto ou Ministério que é abordado mais ou menos nestes termos "Sabemos que no seu Ministério há muitos utilizadores ilegais do nosso software. Ou assina um acordo com um novo valor ou lançamos-lhe um processo". Ninguém na Administração Pública portuguesa tem resistido a esta chantagem. E assim os monopolistas vão engrossando os seus lucros, à custo dos contribuintes portugueses, que ignoram esta nova modalidade de fazer negócio - a venda por chantagem.
08 dezembro 2005
Observatório do Software Aberto
O IDABC (Interoperable Delivery of European eGovernment Services to Public Administrations,Businesses and Citizens), um departamento da União Europeia que mantém um Observatório do Software Aberto. Mensalmente é publicada uma lista de notícias sobre o desenvolvimento do Open Source na Europa.
No site do Observatório pode-se já encontrar a edição de Novembro.
The use of Open Source Software in Czech Republic
Open Source in the Swedish Public Sector
Italian Linux Day 2005 – A Success
Korea’s IT agency at the LinuxWorld Conference and Expo
Italian Employees support the Use of Open Source Software
U.S. Federal Government introduces Open Source Stack
Open Source Software for Localisation in Tanzania
Open Source Software for India’s citizens
Paris aims to introduce Open Source Software more quickly
LinuxWorld Conference and Expo, Frankfurt
Chinese government opts for open source software
Dutch Research Institute presents results of Open Source Software Survey
UK Agency introduces new IT Policy for Schools
LinEx2006 - the new version of Extremadura’s Linux distribution
Joint-University Open Source Technology Center
Development Agency campaigns for Open Source Software Use in Africa
Fast Move to Free Software in Brazil
Indian Bank adopts Linux
Open Source World Conference in Merida
Case Studies
Bologna engages with Open Source
Prague works with Open Source
No site do Observatório pode-se já encontrar a edição de Novembro.
The use of Open Source Software in Czech Republic
Open Source in the Swedish Public Sector
Italian Linux Day 2005 – A Success
Korea’s IT agency at the LinuxWorld Conference and Expo
Italian Employees support the Use of Open Source Software
U.S. Federal Government introduces Open Source Stack
Open Source Software for Localisation in Tanzania
Open Source Software for India’s citizens
Paris aims to introduce Open Source Software more quickly
LinuxWorld Conference and Expo, Frankfurt
Chinese government opts for open source software
Dutch Research Institute presents results of Open Source Software Survey
UK Agency introduces new IT Policy for Schools
LinEx2006 - the new version of Extremadura’s Linux distribution
Joint-University Open Source Technology Center
Development Agency campaigns for Open Source Software Use in Africa
Fast Move to Free Software in Brazil
Indian Bank adopts Linux
Open Source World Conference in Merida
Case Studies
Bologna engages with Open Source
Prague works with Open Source
30 novembro 2005
Standards e manobras de Marketing
Em reposta extremamente rápida à adopção pelo Estado do Massachussets do formato OpenDocument normalizado pelo Oasis, a Microsft anunciou a sua intenção de também submeter o seu formato XML a uma organização de normalização, neste caso o ECMA.
É por um lado um passo positivo, no caminho da abertura do software, e virá no futuro facilitar a importação e exportação de documentos de Microsoft Office por outras suites como o OpenOffice.org.
É também positivo porque revela que a comunidade open-source começa a ter a iniciativa, e a forçar a Microsoft a reagir. Isso já se passou relativamente ao futuro Internet Explorer 7, que é uma resposta ao êxito do Firefox, à tristemente celebre campanha "Get the Facts", uma resposta à cescente adopção do Linux. Tinha também já acontecido com o anúncio de formatos XML e do export para PDF a incluir na próxima edição do MS Office, como resposta ao OpenOffice.org. Repete-se agora face à normalização do OpenDocument. Perder a iniciativa é bastante mau em termos de combate, e isso está a acontecer à Microsoft.
Mas este anúncio é também, ou sobretudo, uma manobra de Marketing para tentar esvaziar a adesão à norma do OpenDocument antes de ela ter tempo de se afirmar. Num guião típicamente microsoftiano, está-se a fazer um anúncio que apenas se concretizará daqui a muitos meses..
O que também já se tornou patente é que face à ofensiva do OpenOffice.org a Microsoft está a tentar enredar o Office no software empresarial, nomeadamente no SharePoint Portal. Por um lado tenta esvaziar a iniciativa do mundo do sftware aberto, por outro tenta levar os clientes empresariais, os que realmente lhe dão dinheiro, para um outro patamar, o das ferramentas colaborativas.
Aqui o mundo do open-source terá também de se afirmar rapidamente.
É por um lado um passo positivo, no caminho da abertura do software, e virá no futuro facilitar a importação e exportação de documentos de Microsoft Office por outras suites como o OpenOffice.org.
É também positivo porque revela que a comunidade open-source começa a ter a iniciativa, e a forçar a Microsoft a reagir. Isso já se passou relativamente ao futuro Internet Explorer 7, que é uma resposta ao êxito do Firefox, à tristemente celebre campanha "Get the Facts", uma resposta à cescente adopção do Linux. Tinha também já acontecido com o anúncio de formatos XML e do export para PDF a incluir na próxima edição do MS Office, como resposta ao OpenOffice.org. Repete-se agora face à normalização do OpenDocument. Perder a iniciativa é bastante mau em termos de combate, e isso está a acontecer à Microsoft.
Mas este anúncio é também, ou sobretudo, uma manobra de Marketing para tentar esvaziar a adesão à norma do OpenDocument antes de ela ter tempo de se afirmar. Num guião típicamente microsoftiano, está-se a fazer um anúncio que apenas se concretizará daqui a muitos meses..
O que também já se tornou patente é que face à ofensiva do OpenOffice.org a Microsoft está a tentar enredar o Office no software empresarial, nomeadamente no SharePoint Portal. Por um lado tenta esvaziar a iniciativa do mundo do sftware aberto, por outro tenta levar os clientes empresariais, os que realmente lhe dão dinheiro, para um outro patamar, o das ferramentas colaborativas.
Aqui o mundo do open-source terá também de se afirmar rapidamente.
20 novembro 2005
Fim das renovações automáticas dos contratos de software
Fim das renovações automáticas dos contratos de software
Esta é a segunda medida que poderia contribuir para a transparência e isênção no software. Já foi tomada uma medida semelhante relativamente às comunicações. Pelo menos de três em três anos tem de haver um concurso para as comunicações para que não se eternize a dependência da PT, sem concorrência, apenas por renovações.
Tem de se impor o mesmo princípio no software. Há concorrência nos sistemas operativos, há concorrência no Office, há concorrência no Mail, há concorrência nas bases de dados. Quer em software livre, quer em software proprietário. Já basta de regime de software único !
Esta é a segunda medida que poderia contribuir para a transparência e isênção no software. Já foi tomada uma medida semelhante relativamente às comunicações. Pelo menos de três em três anos tem de haver um concurso para as comunicações para que não se eternize a dependência da PT, sem concorrência, apenas por renovações.
Tem de se impor o mesmo princípio no software. Há concorrência nos sistemas operativos, há concorrência no Office, há concorrência no Mail, há concorrência nas bases de dados. Quer em software livre, quer em software proprietário. Já basta de regime de software único !
Ponham os Cadernos de Encargos ONLINE
Ponham os Cadernos de Encargos ONLINE
É uma sugestão dada no Gildot em relação ao meu desabafo sobre a transparência, e é de facto uma das duas medidas que em muito contribuiriam para a transparência. Talvez deixássemos de ver aqueles cadernos que pedem específicamente a marca X ou Y, ou pelo menos, podia-se redireccionar o Caderno imediatamente para o Tribunal de Contas por violação do dever de imparcialidade que está escrito, preto no branco, no Decreto-lei 197/99 que regula as aquisições da Administração Pública.
É uma sugestão dada no Gildot em relação ao meu desabafo sobre a transparência, e é de facto uma das duas medidas que em muito contribuiriam para a transparência. Talvez deixássemos de ver aqueles cadernos que pedem específicamente a marca X ou Y, ou pelo menos, podia-se redireccionar o Caderno imediatamente para o Tribunal de Contas por violação do dever de imparcialidade que está escrito, preto no branco, no Decreto-lei 197/99 que regula as aquisições da Administração Pública.
12 novembro 2005
Transparência
A recente polémica relativamente às eleições, com a tentativa não inocente de manchar reputações de algumas pessoas incómodas, causou-me algumas reflecções.
Na comunidade ligada ao software livre existe uma transparência inusitada, que não é comum no resto da sociedade portuguesa. Ainda bem. O que faz falta é levar essa transparência ao resto da sociedade, que cala demasiadas coisas.
Cala os problemas ligados ao deficiente trabalho de algumas consultoras (ex: quanto tempo a mais levou a implementação do software nos Registos e Notariados ?).
Cala problemas ligados ao software proprietário (ex: só se soube dos problemas de migração do correio da Telepac num programa com pouca visibilidade na TV ).
Cala a utilização dos dinheiros públicos (onde é que posso saber quanto se paga em consultores e em software em cada Ministério ou projecto ?).
Cala o desperdício de dinheiros públicos (quantos projectos sem sucesso há, em que ninguém é responsabilizado) ?
Cala a flagrante ilegalidade de alguns concursos públicos, em que são referidas marcas de produtos, contrariando a lei -197/99, para quem queira saber.
Cala a corrupção existente em algumas aquisições públicas, mesmo quando os rumores são mais que muitos.
A imprensa cala-se por receio de perder anunciantes.
Os fornecedores calam-se por receio de perderem futuros contratos.
Os funcionários públicos calam-se por receio de perderem os empregos.
A corrupção é o mais difícil de denunciar, porque as provas são obviamente escondidas ou inexistentes, e é complicado acusar alguém sem provas.
A questão é a seguinte: quem está na Administração Pública deve-se habituar a prestar contas. Por vezes as questões levantadas poderão ser erros ou insinuações. Nesses casos há que prestar esclarecimentos, como fez o Mário Valente. Noutros casos poderão ser incompetências, ilegalidades ou mesmo corrupção. Não é de esperar esclarecimentos nesses casos , o que não abonará em favor dessas pessoas. Mas talvez leve a investigações, ou a atitudes mais responsáveis.
Na comunidade ligada ao software livre existe uma transparência inusitada, que não é comum no resto da sociedade portuguesa. Ainda bem. O que faz falta é levar essa transparência ao resto da sociedade, que cala demasiadas coisas.
Cala os problemas ligados ao deficiente trabalho de algumas consultoras (ex: quanto tempo a mais levou a implementação do software nos Registos e Notariados ?).
Cala problemas ligados ao software proprietário (ex: só se soube dos problemas de migração do correio da Telepac num programa com pouca visibilidade na TV ).
Cala a utilização dos dinheiros públicos (onde é que posso saber quanto se paga em consultores e em software em cada Ministério ou projecto ?).
Cala o desperdício de dinheiros públicos (quantos projectos sem sucesso há, em que ninguém é responsabilizado) ?
Cala a flagrante ilegalidade de alguns concursos públicos, em que são referidas marcas de produtos, contrariando a lei -197/99, para quem queira saber.
Cala a corrupção existente em algumas aquisições públicas, mesmo quando os rumores são mais que muitos.
A imprensa cala-se por receio de perder anunciantes.
Os fornecedores calam-se por receio de perderem futuros contratos.
Os funcionários públicos calam-se por receio de perderem os empregos.
A corrupção é o mais difícil de denunciar, porque as provas são obviamente escondidas ou inexistentes, e é complicado acusar alguém sem provas.
A questão é a seguinte: quem está na Administração Pública deve-se habituar a prestar contas. Por vezes as questões levantadas poderão ser erros ou insinuações. Nesses casos há que prestar esclarecimentos, como fez o Mário Valente. Noutros casos poderão ser incompetências, ilegalidades ou mesmo corrupção. Não é de esperar esclarecimentos nesses casos , o que não abonará em favor dessas pessoas. Mas talvez leve a investigações, ou a atitudes mais responsáveis.
11 novembro 2005
Implementações de open-source na Europa e Estados Unidos
A ZDNet tem um bom apanhado do estado corrente de vários projectos de implementação de projectos open-source na Europa:
Os acorrentados
Conforme se pode ler na Computerworld de 3 de Novembro, o Microsoft Office deixou de ser um produto de produtividade pessoal. Neste momento evoluiu "para um sistema mais abrangente e integrado de programas, servidores e serviços que constituem a base do software Microsoft, assente em funções, integrando capacidades adicionais para a integração de XML (eXtensible Markup Language), serviços de fluxo de trabalho e integração de portais e LOB - Microsoft Office SharePoint Portal Server, Microsoft SQl Server Reporting Services e com a plataforma Microsoft em geral".
Toda esta envolvencia só me faz lembrar aqueles casamentos em que o recém-casado, depois de dar o nó, rapidamente se apercebe que casou não apenas com a apetecível noiva, mas também com a sogra, o sogro, a cunhada, o marido da cunhado, os sobrinhos da cunhada, mais os tios, as tias, e a família da noiva em geral.
A Microsoft, confrontada com o cada vez mais insustentável desafio de ter de justificar aos clientes o pagamento de milhares ou milhões de Euros por uma plataforma de software para a qual existem alternativas gratuitas perfeitamente adequadas, como o OpenOffice.org, resolveu entretecer o Microsoft Office com "a plataforma Microsoft em geral". Os clientes são progressivamente acorrentados (sem aspas) numa cadeia de software que liga aplicações umas às outras, e das quais não se conseguem escapar.
Já são vários os responsáveis de sistemas de informação a quem ouvi referir a falta de coragem para se envolverem numa migração para fora da "plataforma Microsoft em geral". Desejam não gastar dinheiro sem razão na plataforma de office, e sabem que há uma alternativa real e viável. Mas sabem que irão ter muito trabalho pela frente para desfazer este novelo da "plataforma Microsoft em geral".
Estão, ou sentem-se, acorrentados..
Toda esta envolvencia só me faz lembrar aqueles casamentos em que o recém-casado, depois de dar o nó, rapidamente se apercebe que casou não apenas com a apetecível noiva, mas também com a sogra, o sogro, a cunhada, o marido da cunhado, os sobrinhos da cunhada, mais os tios, as tias, e a família da noiva em geral.
A Microsoft, confrontada com o cada vez mais insustentável desafio de ter de justificar aos clientes o pagamento de milhares ou milhões de Euros por uma plataforma de software para a qual existem alternativas gratuitas perfeitamente adequadas, como o OpenOffice.org, resolveu entretecer o Microsoft Office com "a plataforma Microsoft em geral". Os clientes são progressivamente acorrentados (sem aspas) numa cadeia de software que liga aplicações umas às outras, e das quais não se conseguem escapar.
Já são vários os responsáveis de sistemas de informação a quem ouvi referir a falta de coragem para se envolverem numa migração para fora da "plataforma Microsoft em geral". Desejam não gastar dinheiro sem razão na plataforma de office, e sabem que há uma alternativa real e viável. Mas sabem que irão ter muito trabalho pela frente para desfazer este novelo da "plataforma Microsoft em geral".
Estão, ou sentem-se, acorrentados..
01 novembro 2005
Anos perdidos na Saúde
A mais desassombrada análise do que se tem passado na informática na saúde pode ser encontrada na apresentação efectuada por uma das pessoas que no IGIF mais contribuiu para o desenvolvimento para a sociedade da informação na saúde.
O IGIF - Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde - desenvolveu as principais aplicações para a gestão hospitalar, mas nos últimos anos tem estagnado por falta de investimento.
Algumas das razões são apontadas nesta apresentação imperdível efectuada nas Jornadas de Saúde promovidas pela publicação Interface Saúde, que analiza os últimos 15 anos na informática da saúde:
1) Conflitos entre interesses privados e públicos
"O pelouro do IGIF para a área das TIC é gerido por gestores vindos da privada, oriundos de empresas com interesses na Saúde (...) – desde o último semestre de 2001 até à data.
Praticamente, tudo, é posto em causa;
Em finais de 2001 é solicitado um estudo estratégico a uma empresa privada – é entregue durante o 1º trimestre de 2002;
Em finais de 2003 é solicitado um estudo estratégico a uma empresa privada e, no início de 2004, e é efectuado um esclarecimento a nível
Nacional (...);
Último trimestre de 2005, está a decorrer um concurso para mais um estudo na área das estratégias (...);"
2) Desinvestimento tecnológico- onde está o Plano tecnológico ?
"Há produtos desenvolvidos “dentro de portas”, a funcionar em algumas instituições onde, além da boa receptividade que têm por parte dos profissionais de saúde, já demonstraram ter capacidade para obter resultados de curto prazo nas áreas consideradas prioritárias pelo
actual governo, designadamente:
- Prescrição Electrónica de Medicamentos ... Receita Electrónica (C.F);
- Prescrição Electrónica de Baixas (CIT) e ligação à Seg. Social;
- Prescrição Electrónica de MCDT’s para os convencionados (C.F.);
- Articulação de cuidados hospitalares e CSP.
Numa base de seriedade, competência, isenção e defesa dos interesses do Estado, requisitos que os contribuintes, beneficiários do SNS e profissionais de saúde, exigem aos responsáveis pelas TIC da Saúde, confesso que tenho dificuldade em perceber certas decisões, como por exemplo, a de não incentivar e apoiar as instituições de saúde a instalar estes produtos (está a
ser feito exactamente o oposto !!) - a maior parte dos investimentos em tempo e dinheiro, já foram efectuados e, além do mais, se esta decisão fosse tomada, daria mais margem de manobra para o desenvolvimento de novos projectos.
Em minha opinião, a actualização tecnológica de alguns sistemas de informação, ou o desenvolvimento de novos sistemas, ou os estudos estratégicos que estejam a ser efectuados, ou mesmo, as transformações que se pretendem fazer no IGIF, não justificam este tipo de decisões - com estes ou outros motivos, este é o cenário que temos vindo a assistir nos últimos 2 a 3 anos ... “morte lenta”
Sera bom que esta intervençao frontal levante o debate sobre o que se passa na informatica na saude. A abertura da nossa sociedade assim o exige, que os decisores da Administraçao Publica prestem contas ao publico do que andam a fazer.
O IGIF - Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde - desenvolveu as principais aplicações para a gestão hospitalar, mas nos últimos anos tem estagnado por falta de investimento.
Algumas das razões são apontadas nesta apresentação imperdível efectuada nas Jornadas de Saúde promovidas pela publicação Interface Saúde, que analiza os últimos 15 anos na informática da saúde:
1) Conflitos entre interesses privados e públicos
"O pelouro do IGIF para a área das TIC é gerido por gestores vindos da privada, oriundos de empresas com interesses na Saúde (...) – desde o último semestre de 2001 até à data.
Praticamente, tudo, é posto em causa;
Em finais de 2001 é solicitado um estudo estratégico a uma empresa privada – é entregue durante o 1º trimestre de 2002;
Em finais de 2003 é solicitado um estudo estratégico a uma empresa privada e, no início de 2004, e é efectuado um esclarecimento a nível
Nacional (...);
Último trimestre de 2005, está a decorrer um concurso para mais um estudo na área das estratégias (...);"
2) Desinvestimento tecnológico- onde está o Plano tecnológico ?
"Há produtos desenvolvidos “dentro de portas”, a funcionar em algumas instituições onde, além da boa receptividade que têm por parte dos profissionais de saúde, já demonstraram ter capacidade para obter resultados de curto prazo nas áreas consideradas prioritárias pelo
actual governo, designadamente:
- Prescrição Electrónica de Medicamentos ... Receita Electrónica (C.F);
- Prescrição Electrónica de Baixas (CIT) e ligação à Seg. Social;
- Prescrição Electrónica de MCDT’s para os convencionados (C.F.);
- Articulação de cuidados hospitalares e CSP.
Numa base de seriedade, competência, isenção e defesa dos interesses do Estado, requisitos que os contribuintes, beneficiários do SNS e profissionais de saúde, exigem aos responsáveis pelas TIC da Saúde, confesso que tenho dificuldade em perceber certas decisões, como por exemplo, a de não incentivar e apoiar as instituições de saúde a instalar estes produtos (está a
ser feito exactamente o oposto !!) - a maior parte dos investimentos em tempo e dinheiro, já foram efectuados e, além do mais, se esta decisão fosse tomada, daria mais margem de manobra para o desenvolvimento de novos projectos.
Em minha opinião, a actualização tecnológica de alguns sistemas de informação, ou o desenvolvimento de novos sistemas, ou os estudos estratégicos que estejam a ser efectuados, ou mesmo, as transformações que se pretendem fazer no IGIF, não justificam este tipo de decisões - com estes ou outros motivos, este é o cenário que temos vindo a assistir nos últimos 2 a 3 anos ... “morte lenta”
Sera bom que esta intervençao frontal levante o debate sobre o que se passa na informatica na saude. A abertura da nossa sociedade assim o exige, que os decisores da Administraçao Publica prestem contas ao publico do que andam a fazer.
Open Document Format e a imprensa
Ainda não consegui ver nada na imprensa especializada e muito menos na imprensa generalista sobre o formato OpenDocument, um standard de formatação de documentos aprovado pela organização Oasis a 1 de Maio de 2005.
Este formato já foi adoptado formalmente ou informalmente (ou seja, através de produtos que o suportam, como o OpenOffice.org, StarOffice ou, de um modo geral, Linux) por inúmeras cidades europeias, como Munique, Viena, Bergen; por departamentos de Estado, como a Polícia Francesa, o Ministério da Defesa de Singapura, as finanças alemãs, o estado de Massachussets, a Junta da Extremadura ou o Ministério da Justiça em Portugal; por países inteiros, como a Tailândia, Venezuela ou a Indonésia.
A imprensa informática portuguesa sofre de faltas de recursos, e portanto apoia-se muito nas contribuições de empresas do ramo, na forma de press-releases, conferências de imprensa e viagens a eventos internacionais. Mas num mundo em que o software de código aberto é cada vez mais importante, é chegada a altura de arranjarem tempo para noticiar o que se passa nessa área. Talvez precisem que alguém lhes começe a enviar as press-releases do Gnome, KDE e OpenOffice.org, por exemplo..
Este formato já foi adoptado formalmente ou informalmente (ou seja, através de produtos que o suportam, como o OpenOffice.org, StarOffice ou, de um modo geral, Linux) por inúmeras cidades europeias, como Munique, Viena, Bergen; por departamentos de Estado, como a Polícia Francesa, o Ministério da Defesa de Singapura, as finanças alemãs, o estado de Massachussets, a Junta da Extremadura ou o Ministério da Justiça em Portugal; por países inteiros, como a Tailândia, Venezuela ou a Indonésia.
A imprensa informática portuguesa sofre de faltas de recursos, e portanto apoia-se muito nas contribuições de empresas do ramo, na forma de press-releases, conferências de imprensa e viagens a eventos internacionais. Mas num mundo em que o software de código aberto é cada vez mais importante, é chegada a altura de arranjarem tempo para noticiar o que se passa nessa área. Talvez precisem que alguém lhes começe a enviar as press-releases do Gnome, KDE e OpenOffice.org, por exemplo..
Abre-te Software
Porquê um blogue entitulado abre-te software? Porque a sociedade portuguesa necessita como do pão para a boca de um maior abertura, de uma maior frontalidade, de mais colaboração. Que cada um contribua como possa. Vou tentar, pela minha parte, contribuir para esses objectivos na área da sociedade da informação, e colaborar para desfazer os unanimismos, o silenciar de problemas, e estimular a diversidade, a originalidade e a colaboração que são os ingredientes de uma sociedade inovadora.
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