30 março 2006

Linux 2006, a quente

Recém chegado do Linux 2006, as primeiras impressões:
- O auditório este sempre cheio, mas não transbordou como esperava. Mas ontem estavam a rejeitar inscrições.
- A aposta num evento de dia inteiro foi ganha, estava quase tanta gente de tarde como de manhã
- Os pontos de situação da IDC e da Caixa Mágica mostram que a implementação de Linux em particular e de open-source em geral estão a aumentar
- As presenças do Secretário de Estado da Justiça e do Coordenador do Plano Tecnológico mostram que se está a chegar ao centro da Governação. E no caso da Justiça que se está a avançar na mudança.
- Vou falar contra mim - e contra a organização: eram escusadas 4 apresentações a falar de Grids quando há tanto mais sobre que falar. As grids vão ser cada vez mais importantes fora das Universidades, mas se soubesse tinha falado de outra coisa.
- Também era escusado um PC com Windows num evento de Linux. Já tenho feito muitas apresentações em Powerpoint em Windows, e aproveito para chamar a atenção de que a preparei em StarOffice em Linux , e que a conversão demorou ..... 5 segundos. Mas é mau marketing que num evento co-organizado pela Caixa Mágica o PC das apresentações não esteja em Caixa Mágica. Não é fanatismo, é mesmo mau marketing
- À tarde gostei especialmente da apresentação do João Macedo Cunha "Linux num cinema perto de si", dedicada à utilização de Linux nas bilheteiras da Lusomundo. Muito eficaz, e gráficamente muito atraente.
- Tudo no stand da IBM era fantástico....
- Uma das coisas óptimas neste tipo de eventos é o diálogo, quer no debate quer nos intervalos. Mais encontros, mais debates, seriam muito úteis.

Uma das repercussões muito positivas do evento é a atenção mediática concedida. Os artigos no Público e no Computerworld estavem muito visíveis, com referências na primeira página e artigos muito detalhados.

Este é neste momento o grande evento de open-source em Portugal. Pode ainda ser muito maior, se os organizadores se atreverem a isso. É complicado, porque quanto maior o evento maior o risco financeiro, mas acho que valeria a pena, e que conseguiriam ainda muitos mais patrocinadores.

22 março 2006

Há fogo debaixo do gelo

Seis requerimentos sobre a Microsoft

Segundo o Público de hoje, 22 de Março, o grupo parlamentar do PCP na Assembleia da República apresentou seis requerimentos sobre o Memorando de Entendimento assinado entre a Microsoft e o Governo português. (Aqui para quem tem assinatura electrónica do Público)

Esses requerimentos pedem esclarecimentos sobre vários assuntos:
  1. Ao Primeiro-Ministro, sobre o fundamento legal para a celebração do memorando, "como se de relações económicas e de cooperação entre Estados se tratasse", e a ausência de processo de selecção de empresas. E se o Governo "está ou não em condições de apresentar uma quantificação, mesmo que previsional, dos montantes de investimento público necessários à concretização das 19 medidas do memorando"
  2. Ao Ministério da Justiça, sobre o âmbito, objectivos e enquadramento legal da "colaboração estreita" com a Polícia Judiciária, e a que "redes internacionais de conhecimento" fica a PJ vinculada com o memorando, exprimindo especial preocupação quanto à "segurança de dados informáticos detidos e geridos pela Polícia Judiciária no âmbito da investigação criminal.
  3. Ao Ministério da Educação sobre o "programa de literacia digital", que pressupõe a existência nas escolas de "um programa curricular fornecido ao Ministério por uma empresa privada" e direccionado "para a utilização de determinados produtos e técnicas que são um exclusivo" da Microsoft. E também sobre o projecto-piloto de adaptação à futura geração de aplicações Windows Vista e Office, considerado uma "estratégia comercial e operação de marketing preparada pela Microsoft"
  4. Ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior sobre a "formação com certificação Microsoft" nos politécnicos, questionando se estes foram ouvidos e se foi feito algum estudo sobre o assunto
  5. Aos Ministérios do Trabalho e da Economia sobre a asinatura de um acordo que prevê a participação num programa de estágios de 4300 empresas "que nunca terão sido sequer consultadas"
  6. Ao Ministério dos Negócios Estrangeiros se ponderou apoiar projectos de cooperação e desenvolvimento nos países africanos com recurso a software livre, em vez de fomentar estágios para jovens dos PALOP nas empresas parceiras da Microsoft
Espero que estas perguntas sejam respondidas para esclarecimento de todos nós, e sem que daqui resulte uma partidarização destes temas. Apoiaria estes pedidos de esclarecimento fosse qual fosse o seu autor. Mas aprecio a iniciativa do PCP.

Ficamos a aguardar as respostas.

Linux 2006

Relembra-se aqui que o evento Linux 2006, organizado pela Sybase, Caixa Mágica Software e Adetti é já para a semana, na quinta-feira dia 30 de Março.
Este é o maior evento de Software Aberto em Portugal, já na sua 4ª edição, e merece uma saudação calorosa. Talvez sejam surpreendidos pela enchente que irão ter, pois creio que em Portugal estamos nas vésperas de uma explosão desta àrea. Há muitos sinais nesse sentido, e várias iniciativas interessantes em preparação. Há fogo debaixo do gelo que tem sido este monopólio do software em Portugal.

Quero saudar aqui o alargamento do evento a multinacionais como a Redhat, a IBM, a Sun Microsystems e a Bull, que por um lado traduz o crescimento em termos da adopção de que estou a falar, e por outro pode trazer bastante mais participantes e adesões de empresas e organismos públicos ao software aberto. Em eventos internacionais análogos a presença da HP e da Intel também já é habitual, inclusive em roadshows próprios, mas em Portugal estas empresas ainda estão muito enfeudadas ao pensamento único. Vou apostar que isso vai mudar durante o próximo ano.

E também quero saudar a participação do Secretário de Estado da Justiça. Está a ser pioneiro na Administração Pública. Como todos os líderes, em breve estará mais acompanhado.

Quase em simultãneo, no dia 28 de Março, realiza-se o evento "Software Livre na Administração Pública", organizado pelo Grupo Algébrica. Trata-se de uma entidade privada com fins lucrativos, e portanto a sua aposta neste evento é um sinal de que esperam uma animação do mercado nesta área. É pena a coincidência de datas na mesma semana, porque também conseguiram reunir um grupo muito interessante de actores da Administração Pública, como o ITIJ (Instituto de Tecnologias de Informação na Justiça) , o IIMF (Instituto de Informática do Ministério da justiça) , a Secretaria Geral do Ministério da Cultura, o Instituto Nacional de Estatítica e o Laboratório Nacional de Engenharia Civil. É pena também o preço elevado das entradas, o que me impedirá de assistir. Mas eventos comerciais são assim mesmo.

Mas não faltarei ao Linux 2006. Há fogo debaixo do gelo.

16 março 2006

Os bites e as aspirinas

Recomendo uma leitura neste blog "O Jumento".
Nele podem encontrar por exemplo este certeiro artigo "Os Bites e as Aspirinas"
Cumprimentos ao autor


Se há dois mercados muitos semelhantes em Portugal são os mercados dos medicamentos e do software, e não é porque os produtos sejam similares, mas sim porque as práticas são quase as mesmas. E as semelhanças não se ficam pelas regras do jogo, ocorrem também entre os genéricos e o software open source, em ambos os casos os profissionais preferem o mais caro sem explicar bem porquê.

Se perguntarmos a um médico porque prefere prescrever um medicamento de marca em vez de um medicamento genérico, e questionarmos a um informático a razão porque opta, por exemplo, pelo Oficce da Microsoft em vez de escolher o OpenOffice, a resposta é mais a o menos a mesma. O médico dir-nos-á muito provavelmente que o medicamento de marca pode ser ligeiramente mais eficaz, assim como o informático nos vai dizer que o Office tem uma pequena função que o OpenOffice não disponibiliza, e nem o médico nos garante que a tal eficácia infinitesimal é necessária para curar o doente, nem o informático tem a certeza de que a tal função seja necessária ou se será alguma vez utilizada.

Da mesma forma que os medicamentos de marca oferecem viagens a congressos, um serviço de apoio técnico que dispensa esforços adicionais, bajuladores de propaganda médica e mais algumas mordomias, também a compra de software de marca tem as suas vantagens, mas ou menos as mesmas, senão mesmo mais, que os medicamentos de marca.

Tal como nos medicamentos de marca para a mesma doença cada marca oferece o seu medicamento, também para o mesmo tipo de função cada marca de software oferece a sua aplicação. E da mesma forma que os médicos tendem a fidelizar-se especializar-se nos medicamentos de uma determinada marca, também os informáticos são firmes defensores dos produtos de uma ou outra marca.

É mais cómodo esperar que uma marca de software nos resolva o problema, recorrer a uma consultora e, de vez em quando, fazer uma viagem de estudo, do que utilizar uma aplicação em que não há uma empresa para a embrulhar em simpatias e mordomias, nem consultoras para nos fazer o trabalho. No Estado em vez de se gastar o menos possível, não raras vezes a vantagem está em gastar o mais possível.
PS: Se José Sócrates tivesse levado os dirigentes da DGITA à Finlândia estes ficariam a saber (será que não sabem?) que o ministério das Finanças daquele país está mais adiantado no domínio do e-learning e que usa uma aplicação de open source
[Moodle].

13 março 2006

Software via web

Á medida que a banda larga alastra e se torna mais rápida, torna-se cada vez mais viável o software executado via web . A Google está a trilhar esse caminho com entusiasmo, e a recente aquisição do Writely, uma ferramenta de tratamento de texto via web, mostra-o claramente.
A Microsoft já percebeu também que o caminho é esse, e Bill Gates já escreveu outro memorando sobre o software como serviço e a necessidade de a empresa se adaptar a este novo modelo. O Office Live é um passo nesse sentido, consistindo em alojar os serviços de web e e-mail em Redond, e passar a receber uma mensalidade por isso.

Neste campeonato há novas regras. Por exemplo, em relação ao que se pode fazer com o Writely, que é editar os documentos e partilhá-los na web. O formato passa a ser menos relevante, porque todos aqueles com que o o criador do documento resolver partilhá-lo podem aceder a ele sem necessitar de qualquer programa à excepção do browser.

O monopólio da Microsoft continua a ser baseado no Windows e no Office. A web é bem mais competitiva. Aí já não será possível manter esse acorrentar das aplicações ao sistema operativo e esse controlo férreo do formato dos documentos. Á medida que o acesso sem fios e aplicações como o Google Maps, e o Writely se espalharem vai passar a ser cada vez menos necessário instalarmos aplicações locais. Não estou a dizer que isso vai acontecer a curto prazo. Este tipo de mudanças radicais nunca é rápida. Mas vai acontecer.

Que implicações têm estes acontecimentos sobre a comunidade de software livre ?
O esforço enorme em curso de conquistar o desktop poderá a prazo ser redireccionado para a criação de aplicações web como as que já aqui foram referidas. A guerra entre software proprietário ou livre tornar-seá então mais acesa nos servidores.

Há implicações deste movimento que têm de ser bem pensadas. É necessário assegurar o direito à saída, saber se uma pessoa pode migrar os seus documentos alojados numa aplicação para outro fornecedor web mais económico. Sim , porque parte destes serviços serão certamente pagos.

Reflexões adicionais são bem vindas. É um mundo novo.

09 março 2006

OpenOffice.org 2.0.2 já disponível

All,

OpenOffice.org 2.0.2 is available today. It is ready now in English; check with the Native Language projects for other languages. The release is recommended for everyone. It contains some nifty new features, fixes many small bugs and resolves numerous issues. For instance, spellcheck dictionaries are now directly integrated into OpenOffice.org and are immediately available after installation; there is no need for extra downloads. The community have also added import filters for Quattro Pro 6 and Microsoft Word 2. As well, other import filters have been improved, so that documents created by other applications can be edited in OpenOffice.org more seamlessly. Continuing with the the push to enhance OpenOffice.org's business functionality, it is now easier to use mail merge. As well, integration with the KDE address book is now possible.

The appearance of the application has also been enhanced, and for Linux users, there are new icon sets for KDE and GNOME. The result of this and the other improvements is not just a prettier OpenOffice.org but a friendlier and more capable suite.

And it's free.

* Get OpenOffice.org: http://download.openoffice.org/2.0.2/index.html

* Release Notes: http://development.openoffice.org/releases/2.0.2rc4.html

* Native Language Projects: http://projects.openoffice.org/native-lang.html

05 março 2006

Arquipélago de sítios de Software Livre

Há vários sítios em Portugal com o objectivo de divulgar o software livre. O gildot, por exemplo, tem feito um trabalho notável ao longo deste anos. Mas é um facto que existem por cá comunidades dispersas e por vezes ignoradas a desenvolver projectos. Há muita gente a trabalhar em ilhas, e somos frequentemente supreendidos com casos de sucesso desconhecidos, ou com projectos em que ninguém colabora porque poucos sabem que eles existem.

Este é um apelo à criação de um Arquipélago de sítios de Software Livre. Uma referênciação mútua de sítios portugueses que permita interligar mais firmemente as várias comunidades. Podem desde já inscreverem-se aqui, e depois colocar a meia dúzia de linhas de software de webring sugeridas nos vossos sítios.

Temos todos a ganhar em trabalhar em rede.

04 março 2006

Open Document Format Alliance

Acabou de ser formada a Open Document Format Alliance. Esta associação visa promover a utilização do Open Document Format nas Administrações Públicas, de forma a garantir um controlo público dos registos, documentos e informações que dizem respeito a todos nós.

Entre os membros contam-se a American Library Association, a Associação dos Fornecedores de Open-Source da Dinamarca, a EDS, a EMC (Documentum..), o Indian Institute of Technology, a IBM , a Internacional Open Source Network das Nações Unidas, o Massachusetts High Technology Council, a Novell, o OpenOffice.org, Opera Software, a Oracle, a Red Hat, a Sun Microsystems e a Universidade Técnica da Dinamarca.

Que tal a Biblioteca Nacional e o IIMF aderirem ?

02 março 2006

Mais custos escondidos

Associado à "oferta" de formação Microsoft a 84 cêntimos por cabeça, que afinal vai ser paga com fundos do giverno e da União Europeia, está o igualmente escondido custo de renovação dos PCs. Segundo Steven J. Vaughan-Nichols quem pretender correr o novo Windows Vista terá de adquirir um PC novo. Segundo ele, dos 20 PCs no seu escritório apenas a sua máquina corre este novo OS a uma velocidade aceitável. A descrição desse sistema é a seguinte :
"Intel Pentium D 2.8GHz dual-core processor, an Intel 945G chipset, 1GB DDR2 (double data rate) DRAM, a 250GB SATA hard drive, and built-in Intel GMA (graphics media accelerator) 950 graphic"
Como a Microsoft ainda não publicou as características recomendadas, e ainda falta algum tempo para a versão final, talvez se possa dar algum desconto - 1 CPU a 2.8 GHz talvez chegue. Mas é sem dúvida um facto de que qualquer empresa ou organismo público tem de pensar duas vezes antes de formar alguém numa tecnologia que obrigará à renovação da maior parte do seu parque de PCs..Quantos PCs empresariais têm aceleradores gráficos, por exemplo?
Podem por favor fazer contas antes de se lançarem de cabeça em despesas ocultas ?


24 fevereiro 2006

A imprensa informática e o software livre

Tenho pensado amíude sobre que volta dar sobre a informação relativa ao software livre na imprensa informática portuguesa. Ou melhor, a falta de informação. As notícias são extremamente raras, em contraste com o grande dinamismo de todos os projectos, como o Mozilla, o Gnome, o KDE, o Ubuntu, etc. Poucos jornalistas fazem investigação, muitos orgãos limitam-se a publicar press-releases e a noticiar os eventos para os quais são convidados.
Vamos ter que ajudá-los e começar-lhes a enviar press-releases. Vamos ter estimular a ANSOL, ou criar uma Comunidade de Marketing de Software Livre.

Aceitam-se comentários

OpenOffice.org duplamente mais rápido

Michael Meeks, um dos principais contribuidores para o Openoffice.org, foi entrevistado durante o recente FOSDEM (Free and Open source Software Developers' European Meeting) em Bruxelas. Durante essa entrevista revela que há bastante trabalho em curso para tornar o OpenOffice.org mais rápido no arranque e na abertura de documentos.

Outra novidade é que não vamos ter de esperar mais 2 anos para um OOo 3. A partir de agora haverão novas versões com novas características pelo menos de 6 em 6 meses.

Este acelerar do OOo tem a ver com uma das forças do open-source. Enquanto que produtos comerciais têm um ciclo cada vez mais longo, os produtos de software livre estão a evoluir para um acumular sustentado de mudanças regulares, o que lhes permitirá a médio prazo ultrapassar a concorrência.

16 fevereiro 2006

MIT e o Open Source

Talvez ganhemos mais do que esperamos se o M.I.T. sempre se estabelecer em Portugal.
Acabei de ver o tema do MIT Enterprise Forum 2006 Workshop: "Charting the Course Through Open Source"

Citando a introdução à workshop:
"Open source software is one of the major factors that will define the software industry in this decade. Until just a few years ago, open source was viewed as an emerging phenomenon.

Today, open source code is widely used by even the most traditional organizations. Young entrepreneurs and software engineers look to open source projects as a wellspring of innovation, with the potential to significantly accelerate time to market."

Pode ser que nos ajude a abrir os olhos..Não sei porquê, mas em Portugal parece que gostamos de pensar por outras cabeças em vez de usar as nossas..

José Magalhães e a polícia à francesa

José Magalhães, o Secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, escreveu bastante sobre internet no passado. Tinha até um blog, desabitado desde 28 de Agosto de 2004.

É pena, porque poder-lhe-ia referir o exemplo da polícia francesa, que para o ciber acesso (para usar termos que lhe são caros) passou a utilizar o Mozilla Firefox. Por este browser já passam 18 % dos acessos à Net em França.

E falando com os seus colegas franceses, ele não lhe deixaria de referir as poupanças que poderia ter se passasse a utilizar OpenOffice.org nas esquadras portuguesas. Em França calcularam-nas em 2 milhões de Euros anuais numa migração de 80.000 postos.
Provavelmente em Portugal também representaria umas poupanças interessantes.

E finalmente, para uma pessoa com formação legal como ele, não deixaria de lhe recomendar o excelente Groklaw, que mistura open-source com temas legais. De certeza que o acharia interessante.

Talvez alguém lhe mostre isto.

07 fevereiro 2006

O que realmente interessa - mais organização

Sejamos francos, em Portugal não existe uma comunidade open-source. Existem várias comunidades, que ora cooperam ora se ignoram. Existem muitas pessoas que utilizam software livre, mas não sabem como podem ajudar. Existem também várias pessoas em empresas e administração pública que sem muito alarde vão implementado soluções de software livre. Ainda hoje tomei conhecimento de mais uma, abrangendo 1.000 utilizadores.

Precisamos de mais organização. Precisamos de cooperação entre as várias comunidades, de forma a reforçarem-se umas às outras. Precisamos de um meio de proporcionar a quem quer ajudar um meio de o fazer -e nem todos precisam de ser programadores. Precisamos de publicitar mais o que se vai fazendo, e é cada vez mais.

Estamos, todos os que utilizamos software livre em Portugal, a usufruir do trabalho que outros resolveram partilhar conosco. Esse é cada vez mais um trabalho colectivo e organizado. Precisamos de o fazer melhor. De divulgar a existência do software livre. De ajudar quem quer experimentar. De publicitar quem o usa.

Precisamos de definir acções comuns. Começo com um primeiro apelo: a criação de um Arquipélago de Sites. Os seja, que o gildot, a ANSOL, o Paradigma e o seu Laboratório para a Iniciativa do Software Aberto, a Caixa Mágica, o Projecto Português do Openoffice.org, o Startux.org, o PTNIX, o Fedora Portugal, o Mozilla pt-PT, SoftwareLivre na AP, o Software Livre na FEUP, o Planeta Asterisco, o alphamatrix.org, o GNU/Linux-[PT], o Slackware-PT, o Software Livre no SAPO, o Ubuntu-PT ,o Alinex, se comecem a referenciar mais. De certeza que me estou a esquecer de alguns. E de certeza absoluta que não conheço todos.

É apenas um começo.

Cumprimentos especiais ao alphamatrix.org, que tem as referências mais completas.

05 fevereiro 2006

O que realmente interessa - mais inovação

O Firefox demonstrou que uma combinação de facilidade de utilização com inovação e com marketing atraz os utilizadores. É necessário levar esse exemplo aos outros projectos open-source. Acredito que o modelo de desenvolvimento cooperativo do open-source fará com que gradualmente a inovação aconteça sobretudo dese modo, e não via software proprietário. Apesar do que vamos sofrer durante os próximos dois anos , com a barragem de Markting que aparecerá com o lançamento do Windows Vista e do Office 12. Vamos ter de aguentar, e continuar a inovar. Ao contrário da Microsoft, o software open-source evolui contínuamente. Depois do Vista e do Office 12 vamos ter tempo para recuperar, pois a MS funciona por ciclos cada vez mais longos. Há que ter uma visão à distância.

Mas voltando à inovação. Conhecem o projecto Looking Glass? Interfaces 3D? Vai muito para além do que o Vista terá. Viram a apresentação da utilização do XGL na próximo Novell Linux Desktop por Nat Friedman? Neste momento é muito cópia do OSX, mas é apenas o primeiro passo do que pode ser consguido com XGL.

É por isso, por projectos como estes, que estou confiante.

04 fevereiro 2006

O que realmente interessa - mais software

O que é que realmente mais interessa para a adopção do Linux? Aplicações, Drivers para hardware e Marketing :-)
No que diz respeito ao Software, a Novel fez um inquérito às aplicações "mais procuradas" no Linux, e surgiu com esta lista:

1. Photoshop
2. Autocad
3. Dreamweaver
4. iTunes
5. Macromedia Studio
6. Flash
7. Quicken
8. Visio
9. Quickbooks
10. Lotus Notes

A Novell diz que vai agora trabalhar para conseguir que os fornecedores deste software o portem para Linux:

Não irão conseguir com todos, mas seria bom que o conseguissem com alguns.

Quem defenda o Software Livre com mais rigidez dirá que isso não interessa para nada, o que interessa é desenvolver as alternativas livres a estes programas. Têm em parte razão, é mesmo necessário que isso aconteça. Mas também é importante que para acelerar a adopção do Linux este software exista em Linux. Isso pode ajudar a convencer cada vez mais pessoas a mudar para Linux no Desktop. E depois de estarem do lá de cá, e de perceberem a filosofia do desenvolvimento colaborativo, até podem ajudar a desenvolver as alternativas livres a estes programas.

Esta é uma luta desigual. Aliados são bem-vindos.

Cartas ao Director

Há neste momento assuntos muito mais importantes para discutir em Portugal que a visita de Bill Gates e a Microsoft. Para encerrar o assunto neste blog transcrevo uma carta ao jornal Público que achei extremamente bem feita. Cumprimentos ao autor.

Portugal e a Microsoft
A recente visita de Bill Gates a Portugal foi apresentada pelo Governo e pela comunicação social como um acontecimento relevante. A presença do "homem mais rico do mundo" foi uma oportunidade para os nossos governantes se mostrarem verdadeiramente empenhados em promover o desenvolvimento tecnológico de Portugal e disso foi dada cobertura alargada nos jornais e noticiários. Efectivamente, a Microsoft é hoje a mais importante empresa de software a nível mundial e Bill Gates, o seu líder, um empresário brilhante. Sendo estes factos indiscutíveis, não nos podemos esquecer que Bill Gates, como empresário que é, procura promover e vender os produtos da sua empresa. E é por isso que ao analisarmos a visita de Bill Gates não nos podemos esquecer de referir os custos que a utilização de produtos Microsoft têm hoje para a nossa economia.
O Windows e o Office, os dois produtos mais populares da empresa de Bill Gates, estão presentes em praticamente todos os computadores pessoais portugueses. Para o utilizador comum, o custo da instalação do Windows e do Office no seu PC é, se não estiver a infringir a lei, superior a 700 euros (140 contos). Se em vez das versões mais baratas destes produtos optar por usar as versões profissionais, pagará perto de 1300 euros (260 contos). Multipliquemos estes valores pelo número de computadores pessoais existentes em Portugal e será fácil percebermos que os montantes que saem do nosso país em direcção à sede da Microsoft nos Estados Unidos são tudo menos negligenciáveis. Se adicionarmos a esta factura os custos do software empresarial vendido pela Microsoft, podemos ter uma noção da gravidade que a situação representa para um país com poucos recursos como Portugal.
Num período em que tanto se fala do défice e da situação complicada que a nossa economia atravessa, espera-se de um governo responsável que procure e promova alternativas menos dispendiosas. Em vez disso, assistimos ao anúncio de que foram estabelecidos acordos com a Microsoft para acções de formação de "1 milhão de portugueses". Tudo indica que uma parte importante do valor a gastar nesta formação será proveniente do Orçamento do Estado. O Governo pode ter a melhor das intenções mas gasta o dinheiro dos contribuintes a promover a utilização de produtos que deveria estar a tentar substituir.
Ao contrário do que muitas vezes se pode pensar, existem alternativas aos produtos da Microsoft. Os computadores podem funcionar sem o Windows, que pode ser substituído, por exemplo, por software open source. O software open source, como o Linux, Firefox, OpenOffice ou Apache, pode ser utilizado gratuitamente por qualquer indivíduo ou empresa. Mais importante do que isso, o software open source pode ser alterado para criar novos produtos sem que isso implique o pagamento de licenças dispendiosas à Microsoft ou a outro fornecedor de software. Por esse motivo, os produtos open source representam uma importante oportunidade de negócio para as empresas de tecnologia.
O interesse do Governo em promover o desenvolvimento tecnológico de Portugal é genuíno, mas para que esse objectivo se concretize os nossos governantes têm de estar bem informados sobre os possíveis caminhos a seguir sem se deixarem impressionar por terem diante de si o "homem mais rico do mundo".

Jorge Gomes Silva
Mem Martins

03 fevereiro 2006

No comments

Desculpem, não consegui resistir..

02 fevereiro 2006

Lucidez e Honestidade

Constrastando com a canonização da Microsoft feita por vários comentadores e governantes nos últimos dias tive o prazer de ouvir um comentário lúcido e honesto a estes planos conjuntos do Governo e da citada empresa.

Citando o Público:
" O que é a que a firma de Bill Gates tem então a ganhar com este programa ? João Paulo Girbal respondeu com uma analogia. Se a Microsoft fabricasse carros "e só houvesse dez pessoas em Portugal com carta de condução", a firma não faria grande negócio. Ao aumentar o número de portugueses com conhecimentos das tecnologias de informação, a Microsoft está a aumentar o seu mercado. O nosso sucesso está ligado ao número de pessoas que podem aceder às nossas tecnologias", disse Girbal"

Falta apenas acrescentar que ainda segundo declarações de outro dirigente da mesma empresa ao Público, "Um dólar (82 cêntimos de euro) é o custo que a Microsoft irá suportar por cada utilizador português destes "cursos de informática". A Microsoft vai pois investir em 5 anos um total de 820.000 Euros em formação. Pressupõe-se que o grosso do Investimento nestas acções pensadas para alargar o mercado da Microsoft em Portugal venha do outro parceiro - o Estado Português.

01 fevereiro 2006

Algumas perguntas ao Governo - ou porque Bill Gates é o homem mais rico do mundo

Há várias questões que surgem a quem ouve a catadupa de anúncios de acordos e protocolos assinados por Bill Gates em Portugal. Gostava mesmo de ter algumas respostas a estas interrogações..

1- Microsoft quer formar 1 milhão de portugueses
Depois de se ler a notícia fica-se a saber que a Microsoft só vai formar formadores, e não os destinatários finais. Quantos serão estes formadores? Quem vai pagar a estes formadores durante a sua maratona de formação?

2- Microsoft quer formar 1 milhão de portugueses
A versão mais barata do Microsoft Office custa 660 Euros (há uma mais barata, mas é apenas para estudantes e professores - 215 Euros). Como consequência da formação de 1 milhão de portugueses de Microft Office, e se desta formação resultar a aquisição deste software, a Microsoft irá ganhar 660 milhões de Euros. Parece ser um bom investimento. Alguém fez estas contas ?

3-Serviços de Estrangeiros e Fronteiras e GNR serão as forças de segurança abrangidas por um conjunto de acções de formação
Estas acções de formação são gratuitas? Se não, houve consultas ao mercado? Quantas mais licenças Microsoft vai o MAI ter de comprar ?

4-Criação de estágios nas 4600 empresas do universo Microsoft
Estes estágios não são financiados pelo Governo Português? E é a Microsoft que fica com o crédito? E estas 4600 empresas só vendem produtos da Microsoft ?
E é a Microsoft que fica com o crédito?

5-A Microsoft vai fornecer à Polícia Judiciária (PJ) equipamento informático de luta contra o cibercrime
A Microsoft de hardware não vende só ratos e teclados ? E o software e os serviços são contratados por protocolo, sem concurso público? O Tribunal de Contas sabe disto ?
E o software da Microsoft, tão susceptível a vírus e Spyware, será o melhor para a Polícia Judiciária?

6- O ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, anunciou que está a negociar com a Microsoft um protocolo com vista à modernização de todo o sistema informático do Ministério
Um protocolo? Não vai haver concurso público ? É isto a promoção da competitividade ?

7-As Universidades do Minho, de Aveiro e da Beira Interior, disponibilizarão cursos de especialização em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) para jovens com o 12.º ano. O projecto prevê que todos os professores envolvidos recebam formação e material escolar directamente da Microsoft através do seu programa IT Academy.

Estas Universidades vão ter a professores pagos por todos nós a dar formação de produtos de uma firma privada ? Parece ser um bom negócio para a Microsoft e um mau negócio para o erário público. Está-me a escapar alguma coisa ?

30 janeiro 2006

Modernizar as empresas portuguesas

As empresas portuguesas estão a passar um período difícil com a crise económica em Portugal. Nem todas eu sei, mas quantos bancos há em Portugal ? Fora essas excepções, como podemos modernizar empresas com poucos recursos financeiros?
Há neste momento um conjunto de aplicações open-source de e-business que o IAPMEI bem poderia promover.

Listo aqui aquelas de que tenho conhecimento:

MP-Biz (Evaristo) - a única genuínamente portuguesa

OfBiz - Open for Business - muitas referências
Compiere - ERP e CRM -muito profissional
GNU Enterprise Small Business - parece precisar ainda de bastante trabalho

Governos como aceleradores

Vamos ter por aí uns visitantes ilustres que vão tentar convencer os nossos governantes que a inovação se controi comprando os produtos deles. Numa tentativa de iluminar esses mesmos governantes sobre como de facto podem contribuir para acelerar a inovação, remeto-os para este editorial do Consortiuminfo.org intitulado "GOVERNMENTS AS ACCELERATORS".

Aqui se descreve como há cerca de um século os governos resolveram estabelecer normas relativamente ao caminho-de-ferro, decretando a uniformização das larguras de linhas, e permitindo assim a interoperabilidade dos transportes. Estamos neste momento num ponto de inflexão semelhante no domínio do software, e as administrações públicas podem contribuir para uma aceleração das oportunidades de desenvolvimento se mandatarem normas de interoperabilidade nas tecnologias de informação.

Leitura recomendada.

25 janeiro 2006

Investimento, inovação e dependência

Segundo a OCDE e a Eurostat, Portugal investiu em 2001 0,84 % do seu Produto Interno Bruto em Investigação e Desenvolvimento. Por comparação, temos:
Suécia : 4.27 %
Finlândia: 3.42 %
Alemanha: 2.51 %
Dinamarca: 2.39 %
..
República Checa: 1,91 %
..
Portugal; 0,84 %
Temos uma esperança - o crescimento deste indicador entre 1996 e 2001 foi de 47 %. Mas não sei se nos últimos anos de crise esse crescimento se manteve...

O que tem isto a ver com o software? Tem a ver com a nossa cultura de que não é necessário investir em software nacional, basta comprar o que as multinacionais nos vendem.

Este sim é um sinal de subdesenvolvimento. A falta de inovação traz a dependência.

24 janeiro 2006

Portugal e Dinamarca

Portugal tem 10 milhões de habitantes. A Dinamarca tem 5 milhões de habitantes. Portugal produz 19.400 dólares por pessoa. A Dinamarca produz 28.900 dólares por pessoa.

Portugal compra software pela marca. A Dinamarca compra software pelas suas especificações.

Chegou a estar prometido em Portugal um documento de interoperabilidade com recomendações das normas abertas adoptar pela Administração Pública nas suas aquisições. Esse documento nunca viu a luz do dia. Num Estado sem dinheiro, não há nenhuma política governativa de adopção de software aberto pela Administração Pública, para ajudar a reduzir o défice.

Na Dinamarca já em Outubro de 2002 era publicado um relatório sobre Open Source na Administração Pública com análise do impacto económico e social da sua adopção. Em Setembro de 2005 o Ministério da Ciência. Tecnologia e Inovação publicou um relatório sobre migrações de suites de Office na Administração Pública dinamarquesa.
Na Dinamarca exsite uma Associação de Fornecedores de Open-Source com 29 membros.
Na Dinamarca um grupo de estudantes lançou uma cerveja open-source :-) .

Onde referi a Dinamarca poderia estar a referir a Holanda, ou a Finlândia.

O tamanho não nos desculpa. Só mesmo a falta de rigor e de inovação.

Já que não há links portugueses neste post, por razões óbvias, leiam os links dinamarqueses..

19 dezembro 2005

A chantagem do costume

Fim de ano. Enquanto a generalidade das pessoas faz as suas últimas compras de Natal, os comerciais fazem as suas últimas vendas. Há quem valorize as qualidades técnicas dos produtos. Há quem valorize a confiança na empresa que representam, a relação, a parceria. E há quem recorra à chantagem do costume. Por esta altura do ano é costume haver algum Instituto ou Ministério que é abordado mais ou menos nestes termos "Sabemos que no seu Ministério há muitos utilizadores ilegais do nosso software. Ou assina um acordo com um novo valor ou lançamos-lhe um processo". Ninguém na Administração Pública portuguesa tem resistido a esta chantagem. E assim os monopolistas vão engrossando os seus lucros, à custo dos contribuintes portugueses, que ignoram esta nova modalidade de fazer negócio - a venda por chantagem.

30 novembro 2005

Standards e manobras de Marketing

Em reposta extremamente rápida à adopção pelo Estado do Massachussets do formato OpenDocument normalizado pelo Oasis, a Microsft anunciou a sua intenção de também submeter o seu formato XML a uma organização de normalização, neste caso o ECMA.

É por um lado um passo positivo, no caminho da abertura do software, e virá no futuro facilitar a importação e exportação de documentos de Microsoft Office por outras suites como o OpenOffice.org.
É também positivo porque revela que a comunidade open-source começa a ter a iniciativa, e a forçar a Microsoft a reagir. Isso já se passou relativamente ao futuro Internet Explorer 7, que é uma resposta ao êxito do Firefox, à tristemente celebre campanha "Get the Facts", uma resposta à cescente adopção do Linux. Tinha também já acontecido com o anúncio de formatos XML e do export para PDF a incluir na próxima edição do MS Office, como resposta ao OpenOffice.org. Repete-se agora face à normalização do OpenDocument. Perder a iniciativa é bastante mau em termos de combate, e isso está a acontecer à Microsoft.

Mas este anúncio é também, ou sobretudo, uma manobra de Marketing para tentar esvaziar a adesão à norma do OpenDocument antes de ela ter tempo de se afirmar. Num guião típicamente microsoftiano, está-se a fazer um anúncio que apenas se concretizará daqui a muitos meses..

O que também já se tornou patente é que face à ofensiva do OpenOffice.org a Microsoft está a tentar enredar o Office no software empresarial, nomeadamente no SharePoint Portal. Por um lado tenta esvaziar a iniciativa do mundo do sftware aberto, por outro tenta levar os clientes empresariais, os que realmente lhe dão dinheiro, para um outro patamar, o das ferramentas colaborativas.

Aqui o mundo do open-source terá também de se afirmar rapidamente.

20 novembro 2005

Fim das renovações automáticas dos contratos de software

Fim das renovações automáticas dos contratos de software
Esta é a segunda medida que poderia contribuir para a transparência e isênção no software. Já foi tomada uma medida semelhante relativamente às comunicações. Pelo menos de três em três anos tem de haver um concurso para as comunicações para que não se eternize a dependência da PT, sem concorrência, apenas por renovações.
Tem de se impor o mesmo princípio no software. Há concorrência nos sistemas operativos, há concorrência no Office, há concorrência no Mail, há concorrência nas bases de dados. Quer em software livre, quer em software proprietário. Já basta de regime de software único !

Ponham os Cadernos de Encargos ONLINE

Ponham os Cadernos de Encargos ONLINE
É uma sugestão dada no Gildot em relação ao meu desabafo sobre a transparência, e é de facto uma das duas medidas que em muito contribuiriam para a transparência. Talvez deixássemos de ver aqueles cadernos que pedem específicamente a marca X ou Y, ou pelo menos, podia-se redireccionar o Caderno imediatamente para o Tribunal de Contas por violação do dever de imparcialidade que está escrito, preto no branco, no Decreto-lei 197/99 que regula as aquisições da Administração Pública.

12 novembro 2005

Transparência

A recente polémica relativamente às eleições, com a tentativa não inocente de manchar reputações de algumas pessoas incómodas, causou-me algumas reflecções.

Na comunidade ligada ao software livre existe uma transparência inusitada, que não é comum no resto da sociedade portuguesa. Ainda bem. O que faz falta é levar essa transparência ao resto da sociedade, que cala demasiadas coisas.

Cala os problemas ligados ao deficiente trabalho de algumas consultoras (ex: quanto tempo a mais levou a implementação do software nos Registos e Notariados ?).
Cala problemas ligados ao software proprietário (ex: só se soube dos problemas de migração do correio da Telepac num programa com pouca visibilidade na TV ).
Cala a utilização dos dinheiros públicos (onde é que posso saber quanto se paga em consultores e em software em cada Ministério ou projecto ?).
Cala o desperdício de dinheiros públicos (quantos projectos sem sucesso há, em que ninguém é responsabilizado) ?
Cala a flagrante ilegalidade de alguns concursos públicos, em que são referidas marcas de produtos, contrariando a lei -197/99, para quem queira saber.
Cala a corrupção existente em algumas aquisições públicas, mesmo quando os rumores são mais que muitos.

A imprensa cala-se por receio de perder anunciantes.
Os fornecedores calam-se por receio de perderem futuros contratos.
Os funcionários públicos calam-se por receio de perderem os empregos.

A corrupção é o mais difícil de denunciar, porque as provas são obviamente escondidas ou inexistentes, e é complicado acusar alguém sem provas.

A questão é a seguinte: quem está na Administração Pública deve-se habituar a prestar contas. Por vezes as questões levantadas poderão ser erros ou insinuações. Nesses casos há que prestar esclarecimentos, como fez o Mário Valente. Noutros casos poderão ser incompetências, ilegalidades ou mesmo corrupção. Não é de esperar esclarecimentos nesses casos , o que não abonará em favor dessas pessoas. Mas talvez leve a investigações, ou a atitudes mais responsáveis.