06 abril 2007

Caro senhor

Vou desta vez fugir ao tema genérico deste blog, e falar de um tema mais genérico. Todo este assunto da licenciatura do senhor Sócrates me irrita. É para mim completamente indiferente se Sócrates é licenciado ou não - o que interessa é o modo como governa. Não sei se fico mais desgostado a pensar que o nosso primeiro-ministro mudou de Universidade por pensar que aí acabaria mais facilmente o curso, ou se com todo o ruído que se tem feito à volta do assunto, e com a utilização do facto como arma de luta partidária. Em Portugal liga-se demasiado aos títulos das pessoas, e muito pouco à sua competência, e ao trabalho realizado. Como se depois de um curso tirado já não fosse necessário continuar a trabalhar, e a estudar. Como se um curso fosse um fim em si, a não um meio de conseguir exercer uma determinada profissão. Como se fosse mais importante ser licenciado do que ser competente. Como se a aprendizagem não fosse necessária ao longo de toda a vida.

Acho é que é chegada a altura de acabarmos com mais uma das tradições retrógradas do nosso país, o elitista tratamento por senhor doutor, senhor engenheiro ou senhor professor. Sempre achei uma pretensa forma de respeito que mais não pretende senão manter uma distância entre classes sociais que é incompatível com uma democracia e uma sociedade assente na competência.

Caros senhores leitores, deixo aqui a minha provocação: vamos acabar com os senhores doutores e os senhores engenheiros. Vamos todos ser senhores ou senhoras. Ou Paulos, Manuelas, Josés, Carlas, Joaquins. Vamos ser mais competentes, e menos pretenciosos.

23 comentários:

nuno disse...

100% de acordo.
Tenho um familiar que foi fazer estágio na Holanda. Quer entre colegas, quer entre os mais prestigiados professores, toda a gente se trata pelo nome... nada de títulos.

Acho que é so mais um prova do complexo de inferioridade que domina os portugueses. À primeira oportunidade, querem logo ser importantes...

Joel Alexandre disse...

Também concordo.

isso e o uso do fato....

enfim, as aparências e politiquices contam mais do que a competência.

António Manuel Dias disse...

Também concordo em absoluto com a ideia deste artigo.

Só há um pequeno pormenor, é que foi o primeiro ministro (ou a sua equipa) quem se proclamou "engenheiro". Assim, a polémica não gira à volta de ser ou não necessário um título desses para ser chefe de governo em Portugal, mas sim se ele mentiu ao dizer que tem esse grau académico ou se o conseguiu de forma ilícita. Isso, para mim, pode dizer muito do carácter de uma pessoa e, quando essa pessoa é o primeiro-ministro, também diz muito da sua credibilidade como tal.

André Esteves disse...

Bato palmas levantado!

A competênçia já de si é uma coisa dinâmica, quanto mais fechá-la na garrafinha dos diplomas e títulos...

Portugal competente, jÁ!!!

Explícito disse...

Não será grave que um PM crie uma biografia falsa sobre as suas habilitações? É que na página do Governo a sua bibliografia foi alterada diversas vezes, sendo inclusive apagada uma entrada que referia uma Pós-graduação que nunca existiu. Não é grave!?

Alguém acredita que quem pretenda exercer Engenharia não saiba os procedimentos exigidos para tal? Claro que não...

Existirá maior provincianismo e demonstração de complexos do que alguém que mostre um curriculo multi-titulado, usando títulos que nem sequer pode usar? Se existe alguém que falhou e mostrou um provincianismo primário foi Sócrates.

Não se pode branquear essa situação, e regressar àatitude salazarente que é menorizar e desprezar o Conhecimento, isso num país com a MAIOR taxa de abandono escolar e a MAIS BAIXA taxa de licenciados na Europa.

pvilela disse...

"Não sei se fico mais desgostado a pensar que o nosso primeiro-ministro mudou de Universidade por pensar que aí acabaria mais facilmente o curso ..."
Creio que fui explícito quando disse que fico bastante desagradado quando penso que o nosso actual primeiro -ministro quis tanto ser "Sr. Engº" que utilizou todas as "facilidades" que a UnI lhe concedeu, e que resultaram nesta trapalhada. Sinceramente não moraria numa casa projectada por ele.
Mas estou farto da lógica do "tirou um curso, está qualificado para tudo". Sim , creio que há uma falta de preparação técnica dos portugueses. Falta de licenciados? Talvez. Mas sobretudo falta de bons profissionais. O Conhecimento não é um grau de licenciatura. O Conhecimento é uma busca contínua.

ac@paradigma.pt disse...

Não é definitivamente necessário ser licenciado para ser Primeiro Ministro, nem a licenciatura é sinónimo de competência. Concordo até aqui.
Interessa-me, contudo, saber se, para conseguir a licenciatura, o PM o fez de forma lícita. Interessa-me saber se esteve ou não envolvido em esquemas de corrupção; se esteve ou não envolvido em falsificação de documentos.
A resposta a estas questões não vai, seguramente, ser sabida no vortex mediático das televisões e jornais. Mas vai ser interessante saber se a PGR vai ou não investigar; saber porque é que umas televisões não largam o filão e porque é que outras não lhe tocam; se, ao fim ao cabo;
E é importante porque tudo gira em torno da mesma questão: poder.
É seguramente mais importante do que conhecer os efeitos que a Sra. Lewinski teve sobre o presidencial falo Norte Americano (isto é um bocado Freudiano, não é?), porque a questão não é de saber se Sócrates sabe ou não fazer cálculos de estruturas, mas antes saber se está ou não moralmente legitimado para jurar, por sua honra, zelar pela nação.
E é muito simples, ou não tem telhados de vidro, e está legitimado para exigir os sacrifícios que temos feito; ou tem telhados de vidro não pode continuar onde está. O contrário seria insustentável, pois tornaria legítima a conclusão - errada - de que os meios legitimam os fins.
Por estas e por outras é que, volvidos trinta e cinco anos sobre Abril, Salazar e Cunhal - os únicos políticos que não enriqueceram na política - são os mais votados num certo "concurso".
Estou-me borrifando para o título de cada qual; estou bastante mais interessado no carácter.
Mas de resto concordo contigo Paulo, às urtigas com os títulos (no fundo são só máscaras)

Anónimo disse...

Já percebi que não deves ter nenhum tipo de formação académica, para falares assim.
Vai mas é Trabalhar Malandro e deixa de escrever tretas neste teu blog, deixa-te de tretas com o Software Livre, sempre a malhar na Microsoft e noutros, deve ser o OpenOffice que te dá de comer.

pvilela disse...

Pesso disculpa senhor doutor, pois eu ganho a vida a trabalhar e a plantar batatas e couves,que são muito saborosas benza-as Deus, não cria incomodar ninguem, nem a senhora Microsoft nem o senhor doutor. Não é o senhor Openoffice que me dá de comer, é mesmo o meu trabalho, que eu cá não ando a roubar ninguem e recebo do meu patrao certinho certinho no fim do mes mais as couves e a batatas, também estou a pensar planar umas cenorinhas se quiser mandou-lhe uma couves mais à senhora microsoft por causa dos incomodos.
Desculpe qualquer coisinha

Anónimo disse...

Disculpa !!!! Desculpa, deves ser Brasileiro, aprende é bem a lingua de Camões.
Como andas a cultivar batatas e couves devias era voltar para a roça no teu Brasil, vai para lá atacar a Microsoft e todo o Software pago, pois com Open Source não deves ganhar nem para as tuas sementeiras, ou então andas a enganar o teu patrão.
Já agora é "não queria" e "não cria", aprende a escrever em Português e não em Brasileiro.
Fico assim á espera das suas couves, de preferência biológicas, a morada penso que já deve saber qual é.

Anónimo disse...

Epá, há sempre um anonymous irritante que de tão idiota chega a ter piada!

absorbent disse...

tem quase piada... mas fica-se pelo quase. o q vale é o bom humor :)

quanto ao tema do post, concordo com muito. acho q deviamos dar mais importancia à competencia do q ao canudo, mas enfim...
agora, tb acho mal se houve mentiras, subornos, etcs e tais. isso dava logo direito a linchamento... se fosse eu q mandasse :)

Luiz F. Pinto disse...

Subscrevo completamente as suas palavras. Todo este jogo mediático vêm diminuir a atenção dos portugueses aos problemas que realmente são importantes.

Anónimo disse...

Caros amigos,

"José Afonso", figura ímpar da cultura portuguesa, que trilhou, desde sempre, um percurso de coerência na recusa permanente do caminho mais fácil, da acomodação, no combate ao fascismo salazarista e pela liberdade e democracia, é tema de um selo que está em 5º lugar. Precisamos do voto de todos para que se faça um selo em sua memória e em louvor à Liberdade.
Num período de exaltação de valores salazaristas, devemos contrapor com os nossos defensores de Abril!

“Venham mais cinco!!
Traz um amigo também!”


VOTA
[aqui]

Abril, SEMPRE!!

Davide da Costa

Anónimo disse...

A língua brasileira, ou o português no Brasil, não é apenas uma contextualização do português de Portugal; ela é uma historicização singular, efeito da instauração de um espaço-tempo particular diferente do de Portugal. Espaço-tempo que se caracteriza pela forte unidade da língua brasileira na representação do imaginário nacional. Em países de colonização, como o Brasil, dá-se o processo do que chamamos heterogeneidade lingüística pelo qual a língua funciona em uma identidade dupla. Desse modo, línguas que são consideradas as mesmas, porque se historicizam de maneiras diferentes em sua relação com a formação dos países, são línguas diferentes. Ou seja, falamos a “mesma” língua, no caso do português do Brasil e o de Portugal, mas falamos diferente. Assim podemos dizer que essas línguas diferem porque produzem discursos diferentes, significam diferentemente. Nossa língua, então, a língua brasileira significa em uma filiação de memória heterogênea. O português do Brasil e o de Portugal se filiam a interdiscursividades distintas como se fôssem uma só, mas não são. São distintos sistemas simbólicos, com distintas materialidades históricas, mas aparentando a mesma materialidade empírica. Que no entanto é só uma questão de aparência havendo uma disjunção necessária entre elas. Por que esta disjunção necessária? Porque elas se constituem segundo diferentes memórias. Ao deslocar-se no espaço, ao desterritorializar-se de Portugal para o Brasil, esta língua sofreu um processo de transferência, transformando-se. Inicialmente, com a vinda de portugueses para o Brasil temos um investimento na relação palavra/coisa (é a mesma coisa aqui e em Portugal que assim é nomeada?). O colonizador português, de acordo com sua memória discursiva reconhece e nomeia coisas, seres, processos, acontecimentos. Mas ele o faz transportando meramente elementos de sua memória lingüística. Como ele se encontra no Brasil, este deslocamento força contornos enunciativos diferenciados (como se chama no Brasil etc) Esta diferença se torna cada vez mais uma diferença de língua (relação palavra/palavra: bicha/fila) e não de palavra/coisa. Daí resulta um trabalho sobre a língua e o português assim transportado acaba por estabelecer outra relação palavra/coisa, cuja ambivalência pode ser lida nas remissões: no Brasil/em Portugal. Tem lugar então a produção de um espaço de interpretação com deslizamentos, efeitos metafóricos que historicizam a língua aqui, no Brasil, diferente de Portugal. Produzem-se transferências, deslocamentos da memória na relação da palavra com a coisa. Aí de novo, aqui no Brasil, repõe-se a relação da palavra com ela mesma dando lugar à organização, classificação em um movimento de saber (dicionários, gramáticas etc). A língua praticada nesse outro lado do Atlântico realiza de outra maneira a relação unidade/variedade. A unidade aqui não refere mais o português do Brasil ao de Portugal mas à unidade e variedades existentes aqui mesmo no Brasil. Essa é sua singularidade. Há um giro no regime de universalidade da língua portuguesa que passa a ter sua referência no Brasil. Nessas condições, a variação não tem como referência Portugal, pois a diversidade concreta é produzida aqui mesmo no Brasil, na convivência, contato, de povos de línguas diferentes (línguas indígenas, africanas etc). Nossas variações são variações relativamente ao Brasil e não a Portugal. Por sua historicização em outro território, o Brasil, o processo de constituição da língua portuguesa se remete não a um modelo estático exterior a seu campo de validade (nacional) mas à sua prática real em um novo espaço-tempo de práticas discursivas. A gramatização em um país colonizado trabalha segundo um duplo eixo: o da universalização e o do deslocamento. Pela sua gramatização, o português no Brasil instala seu direito à universalidade, garantindo a unidade (imaginária) constitutiva de qualquer identidade. Paralelamente tem seus usos variados. Uma vez conquistado seu direito à unidade, reconhece suas variedades (relação com as línguas indígenas, africanas, de imigração etc) que lhe dão identidade para dentro e para fora – para dentro, por exemplo, distingue-se o português standard dos tupinismos, africanismos, populismos; para fora, distingue-se pelo mesmo traço, os brasileirismos, em relação ao português de Portugal. Ambivalência que mostra o giro pelo qual transferimos para o Brasil a referência da universalidade da sua língua, a língua brasileira. Esse reconhecimento é parte da nossa unidade nacional.

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